Esta tarde, quando passeava por Santarém, oiço alguém a reclamar o facto de o Estado Português ter decretado um dia de luto nacional pela morte de D. José Policarpo, o cardeal-patriarca emérito de Lisboa. Não me meti na conversa, porque embora eu saiba, compreenda e aceite a separação das águas entre o que é de Deus e o que é de César, enquanto cidadão exemplar, e também pelo o facto do povo português ser maioritariamente católico, aceito e aplaudo a decisão do Conselho de Ministros. Posição idêntica teve o anterior Presidente da República, Jorge Sampaio, que aos microfones da Renascença afirmou que “se o Governo tiver essa decisão acho correcto, porque foi uma figura da maior importância. Na prática dos lutos nacionais, e tenho experiência disso como Presidente, é sempre complicado saber onde é que se estabelece o critério. Aqui não há dúvidas, num país com as nossas características, não tenho dúvidas sobre isso.”
D. José mais do que ter sido um excelente cristão, e um óptimo cardeal-patriarca, as suas qualidades humanas foram elogiadas por todos sectores da sociedade portuguesa. Seja pelos seus pares, seja pelos mais diversos sectores da sociedade portuguesa, Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho e até o Partido Socialista, bem como por elementos de outros credos, como é o caso do Xeque David Munir, líder da Comunidade Islâmica de Lisboa, que se referiu a ele como sendo “uma pessoa afável, amável. Alguém muito preocupado com a situação [do país]”.
Entre os católicos cito o Padre Anselmo Borges, um homem da Igreja muito há frente do seu tempo que fala de D. José como um "homem que se movia à-vontade, tanto dentro da Igreja como na sociedade civil. Era um homem de fé, mas que, ao mesmo tempo, queria uma Igreja aberta ao mundo, pelo que não é por acaso que escolhe para tese de doutoramento os sinais dos tempos. Ele movia-se no meio do mundo como homem da Igreja que não era eclesiástico e movia-se como homem de fé dentro do mundo contemporâneo com todos os seus problemas.”
Nunca tive o o privilégio de ter privado com ele, ou inclusive de assistir a um oficio religioso presidido pelo o cardeal-patriarca emérito de Lisboa. No entanto, sempre que podia lia o que dizia e ouvia-o. Era uma pessoa extraordinariamente sábia que irá fazer falta a esta igreja muito desnorteada.
Nota: As citações foram encontradas nos sites da Rádio Renascença e do Jornal Público.
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