segunda-feira, 17 de março de 2014

Há os que sabem e os que têm voz mediática

Ainda sobre o Manifesto dos 70 (ou 74):


 


Vale a pena ler o que escreve o Pedro Lino da DIF Broker e a economista-chefe do JP Morgan.


 


Ora leiam o Pedro Lino:


Quando um país tem défice orçamental, os aumentos salariais acima da inflação e os gastos supérfluos têm que ser financiados por dívida. Alguns dizem que os culpados são os banqueiros que nos aliciam e emprestam a juros absurdos. Ora qualquer agente económico rejeitaria um empréstimo caso a taxa de juro proposta não fosse por si comportável, algo que não acontece no sector público. Na realidade, os políticos habituaram-se a utilizar a máquina de impressão de dinheiro para camuflar a sua incompetência de gestores da causa pública, pois não existe a prestação de contas pela dívida que contrataram


ou


Portugal tem como principais credores a 'troika' a quem deve 80 mil milhões de euros e o BCE que detém 22 mil milhões de Obrigações do Tesouro, ou seja combinados detêm 47% do total da nossa dívida. O que o manifesto defende é o incumprimento ou para com a 'troika' ou para com os restantes credores, onde se incluem bancos, famílias, e o próprio estado, através da segurança social.


É irresponsável falar em reestruturação de dívida acima dos 60% relativamente ao PIB quando todos os meses temos que pedir dinheiro aos nossos credores para pagar salários e pensões. Muitos dos subscritores, que são pensionistas, deviam saber que é dinheiro de dívida que lhes está a ser pago, e que será suportado pelas gerações futuras.


Se este documento fosse lei, ninguém emprestaria ao estado português, ou a outro agente económico português, com receio de confisco da propriedade.


 


E agora a economista-chefe do JP Morgan, Elga Bartsch:


O banco Morgan Stanley vê pouca margem de manobra para uma restruturação da dívida portuguesa, pois tal afectaria o sistema financeiro nacional: "Em termos de restruturação da dívida soberana, penso que já não haveriam muitos benefícios em Portugal porque, se se decidisse reduzir o valor [writedown] das obrigações do Governo, desencadear-se-ia quase imediatamente uma recapitalização do sistema bancário. Ou seja, o resultado não seria uma redução do valor da dívida do país, mas uma transferência de um lado para outro", disse hoje à agência Lusa durante um briefing para jornalistas em Londres. 


e


"Uma grande parte da dívida de Portugal - e ainda mais da Grécia -  foi beneficiada pela extensão de maturidades e redução dos juros e isso não é considerado nessas análises".


Outra opção segundo Elga Bartsch, "seria a possibilidade de Portugal beneficiar de algum alívio por parte da 'troika'", ao que acrescentou: "Mas tendo em conta que os empréstimos do Mecanismo Europeu de Estabilidade já são bastante baratos e as maturidades longas, não penso que seja possível fazer algo mais".


 


A economista-chefe para a Europa do banco de investimento norte-americano considera possível que Portugal tenha uma "saída limpa" do Programa de Assistência Financeira, embora não esteja em tão boas condições como estava a Irlanda quando terminou o programa: "A Irlanda tinha um sistema financeiro que detinha muito pouca dívida pública e também tinha fundos de pensões e de seguros com pouca dívida irlandesa. Noutras palavras, no sistema financeiro irlandês há bastante procura de dívida, que penso ter sido esgotada em Portugal porque os bancos portugueses possuem muitos títulos do tesouro [portugueses]"

Sem comentários:

Enviar um comentário