sexta-feira, 7 de março de 2014

Mais sobre o Triângulo amoroso Rússia, Crimeia, Ucrânia

Depois de ter publicado no Corta-Fitas este artigo sobre o triângulo amoroso Rússia, Crimeia e Ucrânia. Recebi este comentário de um leitor, que por trazer ideias novas à análise sobre o conflito, decidi publicar:


Bom dia.
A TVI traduziu mal as palavras de Obama . Ele falou em "violação da constituição Ucraniana e do direito nacional". Nas legendas e nos títulos é que apareceu "direito internacional". Ontem verifiquei quando ouvi o directo, vantagens da tecla dos 7 segundos.  Ademais o direito internacional não proíbe a realização de referendos, antes pelo contrário. É o instrumento por excelência na resolução dos problemas autonómicos.  A Constituição ucraniana é que proíbe os referendos espontâneos. Mas no quadro de deposição do governo anterior pela força, e aceitação duns tipos que passaram a ser o poder de facto na Ucrânia, será ridículo tentar defender a Constituição ucraniana. O actual poder ucraniano tem tanta legitimidade como os gadelhudos do Ralis em 1974.
Na questão de fundo, não creio que Putin tenha recuado militarmente. Ele fez a jogada militar de ocupação do território para depois ficar sentado à espera que venham negociar com eles, nos  termos que ele montou. 
É duvidoso que se possa dizer, sem mais,  que a Crimeia é território Ucraniano, atento o histórico - Estado que varia entre o independente e a região autónoma, com parlamento, governo e Presidência da República, que há 60 anos foi "doado" entre repúblicas socialistas. Há quem explique que em 1992 com a queda do Comunismo, a Crimeia  só optou por ficar mais ligada à Ucrânia do que à Rússia devido à instabilidade na época em Moscovo. Mas foi sempre um Estado proto-independente. Com muito mais ligações históricas à Rússia do que à Ucrânia. Sendo que a adesão à actual  Rússia era uma questão de tempo e de oportunidade.
Putin não pretendeu alargar o seu "espaço vital". Apenas quis proteger as suas bases navais e de mísseis balísticos já instaladas na Crimeia. Aquele espaço vital já era russo, de facto, pela historia e pela sociologia. E de direito, pelo contrato de ocupação em vigor.
Se a expansão russa na Crimeia implicasse o perigo de instalação ex novo de bases militares, o Ocidente poderia ficar preocupado. Mas para o Ocidente, é rigorosamente igual ao litro se a Crimeia fica encostada à Ucrânia, ou encostada à Rússia. As bases militares mantêm-se rigorosamente no mesmo local, com a mesma gerência e a oferecer o mesmo menu.
Só os ucranianos é que ficam com o golpe no orgulho por terem perdido Olivença, perdão, a Crimeia.
Os Ocidentais é que têm que fingir que estão a apoiar a Ucrânia devido ao tratado de desnuclearização assumido com a Ucrânia que oferecia como contrapartida o apoio militar em caso de invasão pelos russos.  E Obama , em especial, tem que fazer qualquer coisa para a imprensa americana não o acusar outra vez de ter sido comido pelo Putin.
E em bom rigor, em termos de direito internacional, os russos não invadiram território ucraniano. Invadiram território crimeio (?), que é uma realidade jurídica muito diferente.
O alarido que se vai ouvindo  por parte do Ocidente antes das negociações a sério é apenas o bater dos paus no chão por parte dos chimpanzés. Para tentar intimidar o oponente e mostrar às próprias fêmeas que se é muito vigoroso. Por seu lado, Putin fez como o tigre: borrifou com urina os pontos nevrálgicos do território e já demonstrou que está preparado para matar, em caso de necessidade. É fácil perceber qual o bicho que vai ganhar a luta..
Nenhum tiro a sério será disparado - só  se os idiotas  dos nacionalistas ucranianos o provocarem ou se os americanos se aproximarem muito. Mas um único destroier no Mar Negro - em frente a uma dúzia deles  e mais 2 ou 3 porta-aviões russos -  é mesmo só para ucraniano ver. É coisas à Obama, para as TV´s
. Putin está a jogar xadrez. E bem. Se quisesse resolver o assunto ao tiro, já tinha feito essas  jogadas no tempo certo. Não era agora com os oponentes prevenidos. 
Digo eu, que desta vez, sem complexos, até acho que os russos têm razão. Era o que faltava que eles deixassem que a UE, através no novo poder ucraniano, viesse a assumir qualquer ascendente sobre as  suas bases navais e de mísseis.

1 comentário:

  1. Os poltrões que estão á frente das"potencias ocidentais" tem de fazer alguma agitação,para fazer crer aos pacóvios que os elegeram que merecem o ordenado,e perpectuar esta "comedia d'el arte" em que eles trans formaram,o sistema a que chamam democrático.Por isso assistimos à verborreia de um Kerry e do seu patrão, Mr. O,e do lacaio europeu monsieur 15%,Hollande,(mas oque passou pela cabeça dos franceses para elegerem um emplastro destes?),que nada pesam frente a um verdadeiro Homem de Estado que defende os interesses do seu País.Na verdade os europeus deviam explorar o principio antevisto por Degaulle;uma europa das nações que se estenda até aos Ourais,principio ao qual Putine encararia favoralvelmente.Eis a tese que deveria preocupar os dirigentes europeus,contráriaria à actual que parece apostada em destruir toda a nossa herança histórica e civilizacional.

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