Quando ouvi Filipe Lobo d´Ávila a anunciar que a bancada do CDS vai abster-se na proposta de referendo sobre co-adopção por homossexuais, não me espantei. Pasme-se com o argumento que utilizou: "o CDS não votará a favor de qualquer aumento de despesa para a realização do referendo, uma vez que não tem cabimento orçamental". Importa-se de repetir?!
Não há nada mais hipócrita que a falsa moral e o CDS tende a ser o refúgio dessa hipocrisia moral, e é pena.
O argumento financeiro nunca pesa na consciência do CDS-PP quando nomeiam os seus militantes em força e à velocidade da luz para os lugares públicos. O CDS já nomeou quase tantos militantes para cargos em empresas ou institutos públicos como o Sócrates quando estava no Governo. A demissão de Paulo Portas no Verão, provocou uma hecatombe nos juros da dívida soberana de tal ordem que aumentou em quase um bi (cito de memória), a despesa pública. E só porque estavam em causa muito dos empregos de militantes é que Paulo Portas foi forçado a recuar pelos seus (nada a opor que motivos egoístas tenham consequências altruístas, atenção).
Não há empresa ainda pública que não tenha um vice do CDS (e nalguns casos dá-se a coincidência feliz de serem competentes, estou-me a lembrar da CGD e dos CTT). Mas não me venham agora com a treta do argumento financeiro para se absterem na proposta de referendo (note-se que não votam contra) a uma lei fracturante, que a maioria do eleitorado do CDS não quer. Na altura em que o projecto lei da Co-Adopção por homossexuais tentava despercebidamente passar no parlamento o CDS não impôs disciplina de voto. Hipócritas!
Para já não falar que muitos "meninos do CDS" se insurgiram contra os meus artigos no blog contra a Co-Adopção.
Muitos dirão o PSD também não chumbou o projecto lei, e deu liberdade de voto, é certo. Mas perante a polémica na sociedade recuou pelo menos até ao nível de um referendo.
* o título é uma analogia à frase "com um vestido preto nunca me comprometo"
Sem comentários:
Enviar um comentário