Um jornalista publicou (por concordar) no Facebook a carta de um militante da JSD indignada com o referendo à Co-Adopção.
"O militante nº 10.757 do PSD, ex-dirigente da JSD, compagnon de route de Passos Coelho, desanca furiosamente nos actuais dirigentes da JSD a propósito da proposta inconstitucional de referendo sobre a adopção e a co-adopção (aqui) e acusa-os de serem uns conservadores emperdernidos de que ele se envergonha e onde não se reconhece, que nada se distinguem do CDS.
E a certa altura afirma: “O que vocês propõem é uma inversão de rumo: conservadores na vida familiar mas liberais na economia. Eu e alguns preferimos o contrário. Porque o PSD, em que nos revimos, sempre foi o partido mais liberal em matéria de costumes e em matérias de consciência”.
Ora não há nada mais vazio que o argumento deste militante da JSD. É o chamado falso e preconceituoso argumento: "O que vocês propõem é uma inversão de rumo: conservadores na vida familiar mas liberais na economia. Eu e alguns preferimos o contrário", diz o rapaz. Mas isto não é uma questão de conservadorismo ou de liberalismo, é uma questão de consciência,de valores, de conceitos de bem e de mal, e é uma questão estrutural sobre o que queremos para o futuro. Ora quem como este militante defende essa tese maniqueísta deverá explanar o fundamento filosófico dessas categorias em que encaixa o pensamento dos outros, sob o perigo de estar a fazer categorias como quem rotula fotografias nas revistas cor de rosa.
É que ser liberal na economia é querer que o Estado não interfira na actividade económica, senão como regulador, e como salvaguarda dos desfavorecidos. O Estado para os mais pobres é o que defende a direita na economia. A direita defende que a igualdade não existe. Ou seja: “all men are created equal" does not mean “all men must be kept equal.”
E isto de defender menos Estado é defender todos, sobretudo os mais desfavorecidos, porque o Estado pagamos nós, e bem se viu aonde o socialismo levou a Europa, a subsidiar tudo e todos.
Ora quem não tem a obsessão da igualdade, olha obviamente para as questões fracturantes sem esse tabu. Olha para a origem dos fenómenos e olha para o futuro, para a meta que determinado caminho atingirá. A diferença entre a esquerda e a direita está essencialmente (em termos de pensamento filosófico) entre o imediato e mediato (o tal longo prazo). Enquanto a esquerda vê que a longo prazo estamos todos mortos (Keynes), a direita trabalha hoje, mesmo que sacrificando o presente, em nome do futuro, e isto é também o principio que se aplica à visão das questões fracturantes. Aonde nos levam essas ideias que hoje se defendem em nome de curar almas aflitas? É também esse longo prazo que está inerente ao pensamento católico. Daí serem imutáveis muitas das coisas que as pessoas, porque só estão a olhar para o seu mundo presente e imediato, querem ver alteradas. A Igreja católica tem mais de 2000 anos, precisamente porque olha para o longo prazo da humanidade.
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