A palavra ingenuidade é, nesta sociedade herdeira da tradição iluminista, vista como uma desqualificação, como um ponto fraco que legitima a superioridade de quem se concentra em não ser ingénuo.
Pois eu acho que há na ingenuidade uma sabedoria. Eu sou ingénua, por dom do coração, porque acredito na humanidade e na sua tentação do bem. Não sou capaz de me apresentar de coração fechado e de pé atrás. Começo sempre de coração aberto porque sei que apenas o bem que damos chama do outro o bem que este tem para dar. Procuro perceber (e dessa maneira amar) a alma do outro. Não acredito logo em teorias da conspiração. Não posso dizer que não esteja alerta a sinais, mas procuro sempre encaixar, primeiro, os actos do outro no plano do bem. É a minha perspectiva optimista do outro. Resta dizer que o optimismo para mim é realismo. Desconfio sempre de opiniões muito negativas dos outros. Não acredito nesse mal absoluto e irremediável do outro. Tenho, desde sempre, a perspectiva de salvação católica, do nunca é tarde para voltar ao bom caminho, e este é sempre o do amor ao próximo. Desconfio mais das massas e dos movimentos emocionais das massas, do que do coração do outro. Penso sempre que o mal se potencia no colectivo.
Claro que a ingenuidade tem um preço alto, porque é apaixonante para os outros, mas atrai muitos mal intencionados. Porque ali estão descansados de que não haverá resistência. É o preço que eu paguei e continuarei a pagar muitas vezes. Mas não sei estar neste mundo a olhar de soslaio para o outro.
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