
Ao ler Wilt (do Tom Sharpe) deparei-me com esta frase. "Acho que devemos dizer sempre o que pensamos. A verdade é tão essencial numa relação verdadeiramente significativa".
Achei que traduzia uma das coisas mais importantes numa relação verdadeiramente importante: a Sinceridade. Mas de repente, ao publicar a frase, deparei-me com uma interpretação diferente. Há pessoas que vêem esta frase como um mandamento moral. A verdade como mandamento moral não tem interesse nenhum. Dizer que a verdade é boa não é grande erudição, é banal. Mas nas relações humanas verdadeiramente importantes a banalidade não entra.
Há uma diferença entre sinceridade e verdade. Ser sincero é fazer corresponder os actos às emoções, aos sentimentos. Fazer corresponder o que se sente ao que se diz. Ser sincero é dizer o que se pensa e sente, sem artificios e cobardias. Dizer a verdade, como mandamento moral, é outra coisa e aí não opino, porque há sempre as circunstâncias.
O amor e a amizade não resistem à falta de sinceridade. Mas podem resistir às omissões. Ou seja, se eu digo o que não penso só para agradar, não amo verdadeiramente, mas posso amar alguém a quem não conto que não sei mudar o pneu do carro.
A sinceridade é essencial no amor, e isso não tem nada a ver com a verdade enquanto mandamento moral.
Devo ter lido quase todos os "Wilt". Adoro Tom Sharpe!
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