segunda-feira, 26 de março de 2012

Vícios

 



 


 


Nem é só o facto de ser um ex-ministro do pior Governo de Portugal desde que me lembro. Nem é o facto de ser uma pessoa que não é da Caixa Geral de Depósitos, e como tal não a poder representar em nenhum board. Nem é sequer o facto de ter sido Ministro com a tutela da CGD, enquanto o actual chairman da CGD era presidente executivo da mesma. Nem é o facto de ser um político e um professor de Finanças, pouco conhecedor do mercado de telecomunicações e de se preparar para ir para uma empresa privada.


É o absurdo do presidente não executivo da CGD (Fernando Faria de Oliveira) se preparar para pôr um político, ex-ministro das Finanças que a tutelou, um homem que não tem carreira nas telecomunicações, em representação do banco do Estado na administração da Portugal Telecom, quando tem indicações claras da troika para vender, o mais depressa possível, as participações em empresas fora do sector bancário, como é o caso desta participação de 6,23 por cento na PT.


“A Caixa Geral de Depósitos vai ser um banco estritamente centrado no negócio bancário", já o disse o Presidente executivo da CGD (José de Matos). Mas para Faria de Oliveira o mundo não mudou, continua a ser como dantes.  Faria de Oliveira continua a não resistir à tentação de ser o arquitecto das estruturas accionistas das empresas privadas e de pôr a CGD ao serviço da definição de administrações de empresas. Ora em nome do centro de decisão nacional, ora em nome da competência profissional dos administradores. Como se a CGD fosse Deus e Faria de Oliveira o seu profeta. Mesmo quando essa política de estratega na defesa dos centros de decisão nacional arrastou o banco do Estado para os prejuízos que teve no ano passado.


Não sei se é ingenuidade ou vaidade o que move Faria de Oliveira. Um misto das duas coisas?


Vem isto propósito das declarações de Faria de Oliveira ao Negócios: O presidente não executivo da CGD que propôs o nome de Fernando Teixeira dos Santos para integrar a lista como administrador não executivo da Portugal Telecom, em representação da Caixa, por considerar que "constituiria uma mais-valia de relevo para a PT". E pergunto eu: o que tem Faria de Oliveira a ver com isso, isto é, com a PT?

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