Eu disse, num post anterior, que não quero cá o FMI, mas é praticamente certo que vamos ter a ajuda e intervenção do FMI no principio do ano que vem.
Em Maio de 2010, Fernando Ulrich (qual Cassandra) disse publicamente que o FMI estava à porta, e na altura, como compete a um país de brandos costumes, foi chamado de incendiário e de irresponsável, pelos seus pares banqueiros, que continuavam a elogiar alegremente o país.
Deixo aqui uns excertos desse discurso "incendiário":
Na sua intervenção no debate 'Do Défice ao Desenvolvimento' da Conferência Portugal em Exame, o presidente do BPI revelou:
"O dia em que batermos na parede não está muito longe. Talvez por semanas. E bater na parede significa, por exemplo, a intervenção do FMI. Lamento mas o país tem que saber".
"Tirem já o C do PEC, o C é para esquecer"
“O principal problema de Portugal não é apenas de tesouraria, mas sim o facto de não nos conseguirmos financiar".
"Não se trata de um problema de preço, mas sim de acesso ao crédito. Um problema que não sabemos hoje quando se vai resolver. Por isso mesmo, sugiro ao Governo que não publique cenários macroeconómicos sem explicar como estes se vão financiar."
"Portugal tem dificuldade em financiar-se e não sabemos quando vai deixar de ter, ou se vai deixar ter"
Um visionário Fernando Ulrich, um visionário.
Há já uns bons anos tive uma reunião com um CEO espanhol que me deixou “maravilhado”. Por uma daquelas coincidências que só Deus saberá explicar, encontrei no dia seguinte, logo pela manhãzinha, um dos mais antigos e prestigiados headhunters cá do burgo, que trato por MESTRE, tal a consideração e estima que tenho por ele, a quem manifestei o meu estado de “inebriamento” com o referido espanhol. O tal MESTRE, qual passo de mágica, tirou-me imediatamente do bolsinho de fora do casaco um cartão de visita do dito CEO e sentenciou: “Ò Pereira de Carvalho!!! Este tipo só tem uma característica. É um tipo NORMAL!!!.”
ResponderEliminarEmbora tendo as maiores dúvidas que qualquer "banqueiro" português chegue aos calcanhares do dito CEO, estou convicto que Fernando Ulrich será dos mais NORMAIS o que, somado à informação "privilegiada" que terá, à sua honestidade intelectual e maior grau de exigência, a todos os títulos, em relação aos seus pares, fará com que VERBALIZE aquilo que muitos já sabem mas, pelas mais diversas razões, calam. Daí a ser um visionário, penso que haverá algum (muito) exagero ou entusiasmo, perante a mediocridade reinante e por ela justificada. Numa corrida de coxos, basta haver um que não coxeie, para logo PARECER o Carlos Lopes. Mas daí a SÊ-LO... Penso ser fundamental não perder a noção relativa das coisas e perceber que, antes de tudo, o nosso nível médio é que é muito mauzinho... E o meu MESTRE bem mo confirma e há muitos anos...
Se Ulrich é um visionário em Maio de 2010 o que serão então Henrique Medina Carreira ou Vasco Pulido Valente e outros que há anos e anos andam a alertar para os desmandos visíveis com as consequências esperadas?
Sim, mas na altura em que Ulrich disse o que muitos já pensavam em surdina, foi criticado por todos, porque tinha gritado o Rei vai nú. Tem pelo menos o mérito da coragem.
ResponderEliminar“Chaves, 30 de Agosto de 1990 – É escusado teimar. A ser banal, a dizer banalidades e a pensar banalidades é que o português é português.”
EliminarMiguel Torga, Diário XVI, página 28
“Coimbra, 28 de Novembro de 1990 – Bem luto. Mas nada consigo. A hora é dos felizes que, acomodados no conforto de qualquer manjedoira, nem sequer têm má consciência da sua má consciência.”
Miguel Torga, Diário XVI, página 42
Mais do que coragem, quero acreditar que Fernando Ulrich será uma pessoa bem formada e com uma consciência cívica que o leva a preocupar-se, de facto, com a sociedade que o rodeia. Ao que não será indiferente e a tudo dará coerência, para além da sua própria educação familiar, o convívio com Artur Santos Silva e Carlos Câmara Pestana. Tal como numa equipa de futebol, também num banco, as INDIVIDUALIDADES ajudam a fazer toda a diferença. Funciona a LEI DE UNIDADE DA CULTURA.