segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Há sempre um dia em que a falta de dinheiro rompe as teias do poder

 



 Acompanhando de longe o que se passa na Brisa, empresa tida como pertença da muy noble família Mello, deparei-me com uma sensação de déjà vu. Pode um accionistas minoritário com 30% aguentar o controlo de uma empresa por muito tempo? O que se passou no BCP, de onde Vasco de Mello foi accionista, já demonstrou que empresas com muitos accionistas e sobretudo muitos accionistas que não são do mesmo sector, acabam sempre rompidas na sua ténue teia de poder que normalmente se forma em torno do 'board'.


Esta estratégia, provavelmente única para a família Mello, de com pouco dinheiro ser "dono" de uma empresa, que já antes Jardim Gonçalves tinha adoptado no BCP, e antes Teixeira Duarte na Cimpor, está sempre potencialmente ameaçada. Pois são situações em que o 'board' está ancorado a um accionista grande mas não o suficiente para nunca estar em causa. Os accionistas financeiros, tidos como silent partners, um dia acordam e aliam-se a outros accionistas mudos, e fazem revoltas na Bounty.


O que se passa na Brisa é o reflexo de um país onde os capitalistas não têm muito capital. Não havendo dinheiro suficiente para controlar uma empresa, como existiu no tempo das empresas familiares, os advogados tornam-se aliados imprescindíveis para encontrar formas de manter as muralhas do castelo. É o que parece ser o anunciado plano de reestruturação que transfere alguns activos para uma nova Brisa, fora da alçada directa dos accionistas revoltosos. A família Mello há muito que sente os silent partners a despertar, e tem de encontrar uma saída. Para uma OPA é preciso dinheiro, e quem não tem vende activos...


 


Vejamos como acaba mais uma novela de guerra de poder.

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