segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Diplomacia e o segredo

Sou a favor da informação. E quem é a favor da informação tende a simpatizar com o Wikileaks. As pessoas estão fartas de saber uns factos nos corredores e lerem outros nos jornais. Veja-se o caso de Angola e Moçambique. Todos comentam nos corredores as ligações entre o poder político e os negócios, todos suspeitam de "corrupções", de prisões suspeitas, de alianças de poder. Mas como nada disso sai da sombra da surdina, tudo é permitido em surdina e nada é permitido à luz do dia. As notícias acabam por ser versões oficiais de factos, algumas delas trazem a verdade nas entrelinhas. Razão pela qual aderi com entusiasmo a uma simpatia pelo Wikileaks. Mas pensando bem, a pessoa que trabalhava no gabinete de segurança (Cifra) criado como central de informação das embaixadas de todo o mundo após o 11 de Setembro, e que tirou os 250 mil telegramas e os entregou ao site o Wikileaks, não cria simpatia em mim. Porque por detrás desta operação de divulgação de informação está uma finalidade política de enfraquecer o poder diplomático dos Estados Unidos, e isso também entra no domínio da "corrupção".


 


Santos Ferreira na entrevista à TVI estava furioso, e tinha razões, se não há fóruns onde se pode falar em privado então de nada serve a diplomacia e as embaixadas. Se o segredo for um mal a abater de forma cega, então toda a diplomacia é uma actividade ilegal. E não faz sentido que se retire poder a quem procura entendimentos, entre países, fora da força das armas.

1 comentário:

  1. António Pereira de Carvalho13 de dezembro de 2010 às 14:38

    COMENTÁRIO 1

    “Não somente é cega a fortuna, como ainda, geralmente, traz cegos aqueles que favorece”
    CÍCERO (106-43 a.C.)

    “Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade”
    Fernando Pessoa

    “À minha volta, reprova-se a mentira, mas foge-se cautelosamente da verdade”
    Simone de Beauvoir


    NINGUÉM SE SINTA IMPUNE

    Porque sou uma pessoa importantíssima, quiseram os acasos da vida trazer até junto de mim, em 1994, o Capt P.(Pieter) H.(Hendrik) Groenewald, Counter Audio Surveillance, “De Bugging”, como se apresentava no cartão de visita que me deixou e que guardo. Militar sul-africano, altamente treinado, “fugido” do fim do “apartheid”, dedicava-se então a negócios vários. Passados uns anos foi preso aqui em Portugal, tendo dito em tribunal que também trabalhava para o SIS, no que nunca foi desmentido. Dizia-se que tinha sido de sua autoria a descoberta do célebre microfone no gabinete do PGR. Dizia-se também que, apanhado numa guerra entre polícias, foi “tramado” por uma delas, denunciado e levado a julgamento por tráfico de armas e diamantes.

    Pareceu-me um tipo super simpático e super profissional. Desse dia de 20 de Julho de 1994, uma quarta-feira, guardo a impressão de ter conhecido um misto de Rambo/James Bond, mas a sério. Em menos de nada, estendeu-me numa secretária uma tal parafernália de “brinquedos” dedicados a espionagem e actividades afins que quase fiquei gago. Mostrou-me que 98% daquele material podia ser adquirido em catálogos americanos e outros, que pareciam listas telefónicas, em papel fininho e tudo. E informou-me que, devido às excelentes relações das “secretas” sul-africanas com a Mossad, beneficiava ele de um know-how suplementar e quase único no mercado. Fez-me várias demonstrações que quase o faziam parecer um Houdini dos tempos modernos. Em Portugal dedicar-se-ia apenas a fazer “limpezas” e ”despistagens”, garantindo aos seus clientes que não estavam a ser “espiados”. Disse-me que no mundo dos negócios e em particular no mundo da indústria, a “espionagem” era muito frequente.

    Esta experiência de quase do “quarto grau” foi em 1994!!! Sem internets e tudo o mais. Passados 16 anos nem imagino as evoluções e facilidades conseguidas... Mas com uma certeza fiquei. Ninguém, mas mesmo ninguém, se julgue acima de ser “apanhado”. Se alguém “fila” alguém, só não sabe o que não quiser. E é verdade! Explicou-me ainda que não existem cofres invioláveis. É tudo uma questão de tempo.

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