
Os calores estivais de Julho levaram Marcelo Rebelo de Sousa a ouvir, esta semana, os partidos políticos com assento parlamentar. Na visita que fez, no passado fim-de-semana, a Celorico de Basto ele justificou a iniciativa: "como é habitual em todos os meses de Julho, - não sei se por cansaço, se é porque está a acabar o trabalho do Parlamento, se é porque há ali um espécie de acerto de contas a fazer em relação ao passado preparando o futuro – há uma subida de temperatura nos actores políticos”. Em suma: estão todos com a cabeça quente.
E é no verão que, de facto, as pessoas optam por tirar as suas férias anuais: é a praia, é o fim dos anos lectivos e é sobretudo o calor. E o calor em demasia não é bom. Frita os miolos!
Porém, mesmo em latitudes bem mais temperadas das que se fazem sentir por aqui o verão é quente, e consequentemente as reacções não são as mais ponderadas. Até hoje os ataques terroristas tinham sobretudo um leitura política, e eram feitos como reacção às acções dos ocidentais no médio oriente. Não havia até hoje uma componente religiosa. O alvo era a política ocidental e não a sua fé, o cristianismo.
Com o atentado de ontem em que foram feitos reféns numa igreja na Normandia e, principalmente, “martirizaram” um sacerdote, degolando-o, o caldo está entornado!
Nessa latitude temperada, e um pouco por todo o lado, para tanto basta ler o que foi escrito um pouco por todo o lado, as cabeças estão quentes. Tornado as nossas vidas em verdadeiros infernos. E mesmo não ter fé, o rótulo de agnóstico ou de ateu não é um “salvo conduto”. Somos todos farinha do mesmo saco. Há mais de uma década recordo-me de ter jantado com um célebre oftalmologista e académico francês. Era assumidamente um descrente. Não obstante disse-o em alta voz: “No dia em que for necessário pegar numa arma para defender a nossa civilização falo-hei”!
Espero que não faça, que ninguém o faça. Não vamos tornar isto numas novas cruzadas. É preciso dar tempo ao tempo, e obrigar que quem de direito reaja conforme. O que passará – já o escrevi aqui – por um aprofundamento político europeu rumo a um consequente federalismo. Quiçá há males que vem por bem.
Um futuro ideal feito a fogo e sangue!
Muito bom.
ResponderEliminarMas a história da Europa sempre foi feita a fogo e sangue.
ResponderEliminarPor outro lado, prova que a história não tem fim como diziam alguns iluminados!
Concordo consigo. De facto a história não tem fim.
ResponderEliminarConvido a que leiam: http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/anselmo-borges/interior/o-dever-moral-de-ser-ateu-5307397.html
ResponderEliminarE nesta crónica, que variar é excelente, destaco:
"Antes de sermos crentes ou não, o que nos une a todos é a humanidade comum, de tal modo que, face a um deus que legitimasse a violência, o ódio, matar em seu nome, haveria, para sermos humanamente dignos, um dever moral: ser ateu."
Padre Anselmo Borges DN 27/7/16