Já escrevi aqui sobre a situação que se vive em Moçambique, colocando o enfoque no extremar de posições entre o governo, Frelimo, e a oposição, Renamo. Também escrevi aqui, que não obstante ser formado em relações internacionais, que me especializei nas questões geopolíticas e geoestratégicas do Pacífico e da Ásia em particular. No entanto, conheço – fui também “obrigado” a conhecer – um pouco do continente africano, e em particular do continente subsaariano, a África Negra, e especialmente os países lusófonos, pelo que naturalmente não estou indiferente ao que se passa nesta antiga colónia – para os mais saudosista província ultramarina.
A início pensei que se tratava de uma questão essencialmente política. Ou seja: o país saiu do limiar de pobreza, enriqueceu e, como aconteceu em Angola, o partido governamental quer ficar com tudo. Os ocidentais, como sabemos, tentaram vender ideal de democracia, de multipartidarismo que “não cola” com a nossa realidade. Por outro lado, ao ler as naturais preocupações, da antiga primeira-dama de Moçambique, Graça Machel, que em declarações ao jornal moçambicano "O País", denunciou “o clima de terror que se vive no país”. Afirmando ainda que “os centros urbanos estão a viver "um ambiente de grande tensão, enorme insegurança, medo e terror". Descubro que o problema deste pais da África austral é bem mais complexo do que a mera embirração político-partidária, nomeadamente devido ao aumento vertiginoso no número de raptos relacionado com o tráfico humano, ao aumento considerável da corrupção e à incapacidade do governo de Maputo em liderar com a situação. Todavia, a eminência do ressurgimento da guerra civil parece, após os acontecimentos já citados em posts anteriores, tristemente natural.
Eu gosto ou prezo ser um optimista. Porém, perante o que lê, se vê ou o que se ouve, estou convencido que os moçambicanos têm o caminho traçado! E como infelizmente nada posso fazer, só espero que o bom senso volte a pairar sobre estas terras austrais.
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