Se bem conheço as relações de poder deste país, a notícia do Jornal de Negócios "Ricciardi falha destituição de Salgado", acabará por ter como consequência alterações na cúpula do Grupo Banco Espírito Santo.
Depois disto tem José Maria Ricciardi condições para ficar à frente do BES Investimento?
Se não estivéssemos a falar de parentes, a verdade é que hoje José Maria Ricciardi, CEO, e Ricardo Salgado, Chairman, estariam a discutir quem se manteria à frente do BES Investimento.
Ainda que José Maria Ricciardi seja um óptimo banqueiro (o BESI é um excelente banco); ainda que tenha toda a legitimidade para, no Conselho Superior da Família Espírito Santo, na qualidade de accionista do Grupo, não dar ao seu primo Ricardo Salgado um voto de confiança "por ele solicitado" para continuar a liderar os interesses do Grupo, (por razões que José Maria Ricciardi se dispensa de revelar); ainda que sobre os accionistas do Grupo não impenda o dever de lealdade institucional; aquilo que é importante é sempre o espírito da lei e não a forma dela. José Maria Ricciardi tem a legitimidade e a vontade, mas não se escapa de ser o Brutus do império.
Depois a mediatização do conflito faz com que a situação de José Maria Ricciardi seja extremamente díficil. Hoje o grande activo de um banco é a confiança. José Maria Ricciardi é hoje visto como o inimigo número um do presidente do banco que é dono do seu. E como é insustentável o peso dessa situação...
E se dúvidas houvesse, eis o comunicado que o banqueiro enviou no fim de semana:
"José Maria Espírito Santo Silva Ricciardi accionista e membro do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo vem, face aos comentários e especulações noticiadas, acrescentar por ora à sua anterior declaração apenas o seguinte:
A sucessão na liderança do Grupo Espírito Santo realizar-se-á não por decisão ou sequer recomendação individual, mas sim pela vontade colectiva dos accionistas manifestada em sede própria.
A sua disponibilidade para corresponder às exigências da boa “governance” do grupo e aos desafios que o futuro reclama, mantém-se sem quaisquer reservas".
Daqui destaco: «A sua disponibilidade para corresponder às exigências da boa “governance” do grupo e aos desafios que o futuro reclama, mantém-se sem quaisquer reservas».
Esta frase é fatal!
Não me parece que até 2016 (ano em que haverá eleições para a cúpula do BES) haja paz, nem Bonança no banco da família de banqueiros mais antiga de Portugal.
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