quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Duelo entre o BCE e o Bundesbank


Jens Weidmann, presidente do Bundesbank: "Liquidity tenders for banks shouldn't interfere with the functioning of capital markets".
Mário Draghi, presidente do BCE: "We are not German ... we are acting for the eurozone as a whole"


A história é esta: No começo de Novembro, o BCE reduziu a taxa de juro para 0,25% a fim de tentar estimular a economia e combater a baixa inflação da zona euro (preços baixos). O presidente do banco central europeu quer no fundo mexer no calcanhar de Aquiles dos alemães, a inflação.


Draghi (que é italiano) antevê riscos de deflação na Europa e está a todo o custo a tentar travá-los. A este propósito chegou a admitir que o BCE tinha outras ferramentas para contrariar o abrandamento da inflação, destacando a possibilidade de colocar a taxa de depósitos que os bancos fazem no BCE, em valores negativos (-0,1%).
Esta medida serviria para obrigar os bancos a emprestarem dinheiro às empresas e famílias, em vez de o depositarem no BCE. No entanto, a taxa de depósito negativa também tem o risco de reduzir o lucro dos bancos quando o crédito está a cair e as instituições bancárias podem ser incapazes de passar o custo das taxas negativas para os depositantes.
A Alemanha não gostou.


Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, já avisou Draghi que "Impressão de dinheiro não é o caminho para sair da crise", o que levou a Draghi a dizer a Weidmann que o BCE não é alemão.


Jens Weidmann numa conferência em Berlim, citado pela Bloomberg, foi mais longe e disse mesmo que algumas das decisões tomadas pelo Banco Central Europeu para conter a crise de dívida soberana estão no limite da linha que separa a política orçamental da política monetária. E defendeu que a independência do BCE pede uma interpretação estreita do mandato do banco central.
Segundo os seus estatutos, o BCE está impedido de financiar directamente os Estados membros.


Como é que a inflação ajuda os países pobres e endividados como nós? Porque uma das formas de reduzir o rácio de dívida pública sobre o PIB é através do crescimento artificial do PIB, o que é possível através da inflação. Mas a Alemanha passou uma crise económica em 1923, após a Primeira Guerra Mundial, que na prática conduziu à hiperinflação. Conhecida como a política da República de Weimar, altura em que a Alemanha se financiava imprimindo papel moeda sem nenhuma contenção. A inflação é por isso um enorme trauma da Alemanha.

Sem comentários:

Enviar um comentário