
Ninguém nega a importância que Óscar Niemeyer tem na história da arquitectura universal. A presidente Dilma Rousseff, num comunicado oficial, classificou-o como “(...) um revolucionário, o mentor de uma nova arquitectura, bonita, lógica e, como ele mesmo definia, inventiva, (...) da sinuosidade da curva, Niemeyer desenhou casas, palácios e cidades". No entanto, e não procurando negar altíssimo valor estético dos seus projectos, tal como acontece com outros arquitectos de alta craveira, Niemeyer, não tinha uma visão prática da vida. Porque, a arquitectura como forma de arte não tem que "imitar a vida"! Se calhar não tem mesmo...! Porém, convenhamos, se alguém projecta uma cidade de raiz, seria interessante que não se esquecem-se de coisas tão simples, práticas e (já agora) obrigatórias como sejam os serviços e alma (ou sejam pessoas que a vivam). Pois é. No melhor pano cai a nódoa, e hoje essa maravilha urbanística está povoada, aqui, ali e acolá, por "lanchonetes" e cidades satélites.
P.S. 1 - Este texto, a propósito da sua morte, não é contra Óscar Niemeyer, que foi muito provavelmente uns dos maiores arquitectos do século XX. É mais uma reflexão sobre a arte arquitectónica e a sua funcionalidade. Inclusive, conheço arquitectos que quando projectam uma casa esquecem-se regularmente dos serviços, tornando-os espaços exíguos e ridículos. Esquecendo-se que a maior parte do tempo útil (em que estamos acordados) que se passa numa casa acontece invariavelmente no eixo casa de banho / cozinha!
P.S. 2 - Sobre a história arquitectónica de Brasília.
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