Não se fala de outra coisa nos jornais. Trump, Trump, Trump. Os jornalistas portugueses dão cabo do Donald Trump em cada letra que escrevem (não estou a proferir qualquer opinião sobre o presidente dos EUA, note-se). Mas não consigo deixar de olhar para os portugueses como uma continua caricatura do Eça de Queiroz. Continuamos a ser uma caricatura do Eça.
Há uma personagem do Eça de Queiroz que era director de um jornal de Aljustrel com o nome de Ecos. Era o jornal Ecos, de Aljustrel. Há uns anos Vasco Pulido Valente usou a personagem de um conto do Eça para ilustrar o ego desproporcionado dos portugueses. Na coluna que em 1999 escrevia no DN "Faz de Conta" - VPV comentava as opiniões exacerbadas que se proferiam quando se debatia no parlamento português a intervenção da NATO na Jugoslávia. Produziam-se manifestos anti-guerra, tal como hoje se proferem gritos anti-Trump e anti-políticas do Trump. VPV fez na altura a comparação com história do Eça sobre o director dos Ecos de Aljustrel. Quando Bismarck invadiu a França, o bom homem, a espumar de fúria, ameaçou com veemência: «Deixem estar que amanhã já dou cabo dele nos Ecos.»
Como se os Ecos de Aljustrel chegassem a Berlim, ou mesmo a Paris.
Assim estamos nós, a dar cabo do Trump nos Ecos de Aljustrel.
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