"Acho que era útil para o país encontrar um veículo de resolução do crédito malparado, de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta uma participação mais activa nas necessidades de financiamento das empresas portuguesas", explicou o Primeiro-Ministro na entrevista ao DN/TSF.
É fácil pensar: olha que boa ideia! Como é que não nos lembrámos disto antes?
Porque é mais fácil criar um banco mau numa entrevista do que criá-lo na prática. Ora vejamos, tirar ao activo uma parte dele obriga a que entre dinheiro em substtituição. Ora quem é que dá a diferença entre o dinheiro que o veículo paga (tem sempre que ser com um grande desconto) e o montante de créditos que sai do balanço?
Segunda pergunta, quem financia o veículo para ficar com os créditos? Podem ir ao mercado e emitir obrigações indexadas as esses créditos (titularizar), é certo, mas isso quer dizer que serão os clientes a ficar com o risco e depois, será certamente preciso uma garantia do Estado para essa colocação.
Há o risco do crédito malparado de 20 mil milhões de euros se vir a tornar num problema maior.
Resultado, não é do pé para a mão que se arranja 11% do PIB para limpar os balanços dos bancos.
Talvez tenha sido por isso que ninguém se lembrou antes.
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