Se, por ocasião das presidenciais, havia no Partido Socialista um candidato natural, ele era António Guterres. Porém, o anterior alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, não avançou, e os socialistas dividiram-se entre duas listas: Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém.
Porque não avançou o antigo primeiro-ministro? Terá sido pela amizade que une, desde a juventude, a Marcelo Rebelo de Sousa? Porque teria medo de perder contra o antigo comentador televisivo, e sem a exposição mediática deste? Ou porque, no seu íntimo, quer ser o próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU)?
Qualquer das perguntas parece válida, no entanto Guterres apostou na ONU. Está no seu direito em o fazer. Todavia o cenário não lhe é favorável. Sobretudo porque, como reconheceu entre amigos, "(...) não ter condições para iniciar a tempo da sua candidatura a secretário-geral das Nações Unidas uma operação de mudança de sexo..." De facto, o novo secretário-geral dessa organização internacional deverá ser do sexo feminino. O que se compreende na perfeição. O século XXI, diz-se, é o século delas.
Ora acontece que o problema é outro, e mais profundo do que resumir esta eleição a uma questão de saias. É a organização que está em jogo. Ou seja, não é o tempo de se repensar a mesma, i.e., que nada ou pouco evoluiu desde os tempos fundadores? Por exemplo, não vos parece caricato, mesmo insensato, que a estrutura mais importante da ONU, O Conselho de Segurança, se mantenha inalterável, quando o mundo se transformou vertiginosamente desde 1945? Que capacidade tem a ONU para reagir ás questões da actualidade, como por exemplo o Estado Islâmico, e a proliferação do terrorismo fundamentalista?
Estas e outras questões são bem mais importantes do que o sexo do futuro secretário-geral. Mas, para já, tudo irá ficar na mesma!
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