terça-feira, 22 de novembro de 2016

O passado, a história terão efeitos colaterais?


Um dia perguntaram a João Lobo Antunes, o conhecido neurologista recentemente desaparecido, o que era a inteligência? o conhecido médico terá dito que não sabia o isso era e que, no entanto, conhecia a falta dela.


Eu não sei se a estupidez é o antónimo de inteligência, nem tenho vocação para tanto. Sei que existem pessoas inteligentes, e o médico é um bom exemplo, e sei que há pessoas que são estúpidas. 


Os resultados das últimas eleições americanas, são por si só, um bom exemplo disto mesmo, porque não obstante o que escrevi aqui - e em particular na minha página do Facebook - reconheço inteligência (ou será apenas esperteza saloia?) na candidatura (o timming), durante a campanha eleitoral e na vitória de Donald Trump em contraponto com o insucesso eleitoral da candidata democrata.


O problema não é o erro, já que parte integral da nossa condição. Está, por um lado,  na sua perversão, como também, e principalmente, na sua presistência. Entre outros, Cícero, escreveu « is Cuiusvis errare: insipientis nullius nisi, in errore perseverare ».


Ora, quando sabemos que movimentos de cariz neonazi e extremistas pululam um pouco por todo lado, quando e à boleia do sucesso eleitoral de Trump lemos as anormalidade proferidas por um tal de Richard B. Spencer ao aclamar um perturbador "Hail Trump!", o caldo está entornado. Como é possível alguém apelar, entre outras coisas, a "uma limpeza étnica pacífica"?


Eu não sei o que é inteligência, nem estou particularmente preocupado com esta questão quase-metafísica. Porém, a estupidez generalizada arrepia-me! Ora, se um dia William Pfaff (1928 – 2015) escreveu que "é o passado que nos faz estar onde estamos", resta saber se a história torna ou pode seriamente tornar as pessoas estúpidas? Se sim... então que ela seja tomada como os medicamentos, com prescrição médica, já que os efeitos colaterais podem ser no mínimo fatais!




 


1 comentário:

  1. O Eça de Queiroz tem uma personagem que é o director dos Ecos de Aljustrel que é uma sátira ao egos dos periféricos.O director do jornal do Alentejo comentava a entrada de Bismarck em Paris, dizia indignado "amanhã já dou cabo dele nos Ecos".
    Assim te digo eu a ti: bem podes dar cabo do Trump nos Ecos de Aljustrel.
    Ele ganhou, vai governar e até vai ser um bom presidente. Daqui a um ano os EUA vão estar em alta, o dólar também. E a Europa vai ter uma nova crise. Mas pronto, acham-se muito espertos e tolerantes.

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