Se há um povo que sou incapaz de o compreender é o norte-americano. Não o escrevo isto para justificar a minha surpresa e, admito, tristeza com a vitória de Donald Trump. Até porque a maioria dos dirigentes republicanos não se revêm na forma insólita - digamos assim - como magnata construi o seu percurso de vida. Porque tenho a esperança que o "natural" realismo que caracteriza os republicanos sirva de travão às loucuras do futuro presidente.
Por outro lado, e numa perspectiva mais local, ou seja, europeia, espero que este resultado seja a alavanca que há muito - diria desde de sempre - falta na construção europeia: de uma vez por todas seremos os senhores do leme, já que o mundo deixou de ser o que era. E nesse mundo andávamos invariavelmente a reboque de Washington!
Há, finalmente, um dado que me torna um pouco contente com o resultado: a derrota da Senhora Clinton. Se é certo que (caso eu se eu fosse americano) teria votado nela, era um mal menor, eu nunca gostei dela. Era mais do mesmo. E os americanos provaram isso ao optarem por Trump em vez dela. E se o candidato democrata fosse também ele marcado pela rotura sistémica, como Bernie Sanders, será que Trump teria alguma hipótese?
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