Hoje, porque me apetece elogiar o silêncio ou, melhor dizendo, a capacidade de nos sabermos calar, de saber que existem momentos onde a palavra, mesmo que necessária, fere, encontrei este texto de Clarice Lispector (1968) que me parece adequado, pelo que o partilho aqui:
O Valor do Silêncio
“Tantos querem a projeção. Sem saber como esta limita a vida. Minha pequena projeção fere o meu pudor. Inclusive o que eu queria dizer já não posso mais. O anonimato é suave como um sonho. Eu estou precisando desse sonho. Aliás eu não queria mais escrever. Escrevo agora porque estou precisando de dinheiro. Eu queria ficar calada. Há coisas que nunca escrevi, e morrerei sem tê-las escrito. Essas por dinheiro nenhum. Há um grande silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras. E do silêncio tem vindo o que é mais precioso que tudo: o próprio silêncio.”
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