quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Grandiosidade e revelação

Acabo de ver o trailer deste filme: SONO DE INVERNO. O novo filme de Nuri Bilge Ceylan que venceu a PALMA DE OURO do Festival de Cannes (vai estar em exibição no Nimas a 8 de Janeiro).


No meio dos diálogos (fantásticos) há um que dá respostas ao meu intimo.


Ela para ele: "És um homem culto, justo honesto e consciencioso. Mas às vezes usas essas virtudes para sufocar as pessoas. Para as esmagar e humilhar".


Ele para ela: "Idolatrares um homem como um Deus e depois revoltares-te contra ele por não ser um Deus. Achas isso justo?"


A ideia que ser virtuoso não chega para potenciar o amor dos outros. A ideia que a virtude pode esmagar e revoltar os outros, e que o virtuoso não percebe porque é que é vítima do mal dos outros quando tem tantas virtudes, é uma coisa tão grandiosa na revelação que até arrepia. Parece dar respostas a tantas perguntas e explicar tantos mártires.


A virtude esmaga os outros que não a conseguem ter e dá origem aos maiores males do mundo. É certo. 


Depois a virtude leva à idolatria e não ao amor. Amam-se as fraquezas não as virtudes.


 


 

Sem comentários:

Enviar um comentário