quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ulrich versus Ricciardi




São dois portugueses, com apelidos estrangeirados, são dois banqueiros, dois aristocratas na alta finança. Mas isso não impediu que trocassem ironias.


Hoje Fernando Ulrich foi questionado por um jornalista de um canal de televisão (daqueles que trazem a cartilha anti-Vítor Gaspar agarrada à pele), se concordava com a adjudicação por ajuste directo da assessoria de uma privatização a uma entidade estrangeira , portanto sem concurso público? Numa clara alusão ao facto criticado por José Maria Ricciardi (em conversas telefónicas com o Governo) de a assessoria financeira da privatização da EDP ter sido entregue pelo Estado (via CGD) à Perella W. Partners. Claro que o jornalista estava à espera que o presidente do BPI criticasse o Governo e o Ministério das Finanças, mas qual não foi o espanto quando respondeu: "qual ajuste directo? O primeiro ou o segundo? É que quem protestou o primeiro [EDP] (que agora se sabe que protestou) ganhou logo as duas privatizações seguintes: TAP e ANA, é caso para dizer que o protesto valeu a pena" (muito bom FU).


O BES, que se vê a braços com o embaraço das escutas telefónicas que apanharam José Maria Ricciardi (BESI) a protestar contra as adjudicações das privatizações junto de "membros do Governo", levou com a sinceridade desconcertante e irónica de Fernando Ulrich, que aproveitou para confessar que não tinha protestado contra nenhum ajuste directo, nem contra o primeiro, nem contra o segundo. Mas que lhe tinha calhado um candidato à compra da ANA.


Ora cheira-me que Fernando Ulrich acaba de arrumar as hipóteses do seu candidato à ANA ganhar a privatização, é que quem vai hierarquizar as propostas é o BES Investimento!


A sinceridade é muito atraente mas não ganha privatizações. Neste caso os protestos em privado, junto das altas esferas governamentais são mais eficientes e produzem mais resultados!  


O BESI, perdeu pela primeira vez (e pela última) a assessoria financeira do Estado numa privatização. Desde o episódio Perella, nunca mais o BESI perdeu nada e vendo bem nem a EDP perdeu, porque assessorou o candidato vencedor. A Three Gorges  tinha a melhor proposta de compra da EDP, e assim o cliente do BESI deixou para trás a alemã E.On que o Ministro Vítor Gaspar (o mesmo que traiu o BES ao contratar a Perella) tanto queria.


Fernando Ulrich não ganha nada, mas tem este charme desconcertante de ser a voz da razão.


 

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