segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Como vai este país?


Maria Luís Albuquerque, Secretária de Estado do Tesouro e Finanças, disse hoje para uma plateia de Revisores Oficiais de Contas que:


 


"O não cumprimento das exigências do programa de ajustamento conduziria a uma interrupção súbita do financiamento externo - da 'troika', mas também via Banco Central Europeu, do financiamento em mercado, e do investimento directo estrangeiro. O fim do financiamento resultaria no colapso do Estado. As contas públicas ficariam instantaneamente equilibradas, pela pura impossibilidade de gastar mais do que se tem, mas à custa do não pagamento de pensões e salários e do provável colapso da estrutura da administração pública. Teríamos um retrocesso de décadas no bem-estar das pessoas, com uma estrutura social com muito menos apoio, nomeadamente ao nível familiar, que aquela que nos caracterizou no passado.
Não haverá mais nenhum programa de financiamento para Portugal. De qualquer forma um novo pacote de ajuda só iria impor condições ainda mais duras de cumprir. Melhores dias virão para Portugal."


 


É assustador!


3 comentários:

  1. António Pereira de Carvalho1 de outubro de 2012 às 11:28

    "Tenhas o que tiveres, gasta menos."
    Samuel Johnson
    (1709-1784)

    O que me assusta é a mentira, a demagogia, a falta de respeito pelo próximo. A VERDADE, por muito dura que seja, é sempre melhor que tudo o resto. Há mais de 10 anos que digo, porque o sinto e constato, à náusea, que a esmagadora maioria das pessoas só acreditaria na MENTIRA em que vive no dia em que não recebesse o ordenado, a pensão, o subsídio e afins. Para mim, o que Maria Luís Albuquerque, de quem tenho as melhores referências, tanto pessoais com profissionais, disse, não tem nada de novo. Só o seu peso institucional será novidade. A VERDADE É REDENTORA.

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  2. António Pereira de Carvalho1 de outubro de 2012 às 12:23

    Há muito que a minha única curiosidade intelectual é ver o nível de pobreza que vamos atingir... Só muito raramente sou surpreendido, de forma positiva... E sou um optimista, por natureza e convicção!!!

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  3. O problema não são as medidas, pois todos sabemos que as dividas tem que ser pagas. Tu, no nosso foro individual, pagamos as dividas que contraímos - a casa, o carro, o computador, etc.) e, portanto, o Estado (que somos também nós embora numa dimensão mais geral e abstracta) também tem que o fazer. E nós exigimos que o Estado Português o faça, caso quer ser “um Estado de bem”!
    O problema é outro. E que a meu ver se reduz a duas coisas: Por um lado, há uma ausência de pedagogia no Estado português, de forma a explicar às pessoas a situação e dar-lhe confiança necessária de que a crise é passageira e de que (esperemos) melhores dias virão! O pior, por outro lado, é que, como poderemos aferir diariamente, e António Borges é um bom (péssimo exemplo) é que existe um grave problema de comunicação! Nomeadamente, quando os supostos consultores do governo, ainda por cima pagos majestosamente, não conhecem a regras do silêncio. Mais ainda: quando abrem a boca, não medem o que dizem, quase como pirómanos atiçam fogo, argumentando que o fazem a título privado. Ora, a meu ver, a consultoria deveria ser um exclusivo, pois eles tem que ter a consciência que, como efeito de ricochete, o que dizem – como, por exemplo chamar ignorantes aos empresários portugueses – atinge e compromete o Estado e, indirectamente, nós!

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