quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ser livre ou ter o livro-arbítrio

Se há questão filosófica que me intriga é a da liberdade. Seremos nós livres? O que é a liberdade? Ou a questão central está no livre-arbítrio, que é definido como a vontade livre de escolha, as decisões livres, o juízo livre, que é a capacidade de escolha pela vontade humana entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente conhecidos?


A mim sempre me pareceu que o lívre-arbítrio, que atravessa a história da filosofia (lembram-se de Hume?), é o mais adequado para definir aquilo de que falamos quando falamos de liberdade. Mais do que propriamente o conceito de liberdade, que é definido como a ausência de submissãoservidão e de determinação.


A questão é que a liberdade é uma falácia porque é condicionada pelas circunstâncias. A liberdade sem o livre arbítrio, sem a possibilidade de exercer a vontade livre de escolha, não serve para nada e é um conceito vazio. Para ser livre é preciso poder haver condições para se poder exercer essa vontade. Todos podemos ser livres, mas nem todos podemos ter o livre-arbítrio, nem todos podemos exercer livremente a nossa vontade de escolha. Porque as circunstâncias podem ser prisões subtis e limitarem o nosso livre-arbítrio.


 


Estou muito mais inclinada a concordar com os filósofos Spinoza e Schopenhaeur:


 


Spinoza compara a crença humana no livre-arbítrio a uma pedra pensando que escolhe o caminho que percorre enquanto cruza o ar até o local onde cai. Ele diz: "as decisões da mente são apenas desejos, os quais variam de acordo com várias disposições"; "não há na mente vontade livre ou absoluta, mas a mente é determinada a querer isto ou aquilo por uma causa que é determinada por sua vez por outra causa, e essa por outra e assim ao infinito"; "os homens se consideram livres porque estão cônscios das suas volições e desejos, mas são ignorantes das causas pelas quais são conduzidos a querer e desejar" (respectivamente Spinoza, Ética, livro 3, escólio da proposição 2; livro 2, proposição 48; apêndice do livro 1).
Schopenhauer, concorrendo com o que Spinoza, escreve: "cada um acredita de si mesmo a priori que é perfeitamente livre, mesmo em suas acções individuais, e pensa que a cada momento pode começar outra maneira de viver [...]. Mas a posteriori, através da experiência, ele descobre, para seu espanto, que não é livre, mas sujeito à necessidade, que apesar de todas as suas resoluções e reflexões ele não muda sua conduta, e que do início ao fim da sua vida ele deve conduzir o mesmo carácter o qual ele mesmo condena."

1 comentário:

  1. António Pereira de Carvalho6 de setembro de 2012 às 04:26

    Vejo que está a precisar de voltar a uma catequese, mas para adultos!!! (LOL, LOL, LOL)

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