segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A cola Facebook


 


Durante anos ou para não dizer quase sempre o português era conhecido por ser de brandos costumes, de não se mexer por dá cá aquela palha. O mundo acontecia mas era invariavelmente para os outros. Em "Portugal o medo de existir", José Gil escreveu mesmo que o povo português não inscrevia o seu lugar na história. Escreveu-o com razão. Mas, tendo em consideração o sucesso da manifestação do passado sábado, que de lés a lés pôs o português de todas as condições a reclamar pela sua vida e contra a Troika, é hoje ou parece ser uma "coisa"pretérita. De modo semelhante ao que aconteceu no ano passado na "Primavera Árabe", que varreu do mapa político os ditadores da Tunísia, do Egipto e da Líbia e que pôs a Síria numa guerra sangrenta, a manifestação portuguesa só foi possível graças ao poder da net (sem filtros) e em particular à utilização do Facebook como fio condutor e numa espécie de megafone dos que não tinham voz. Mais ainda. Ao juntar, no mesmo barco - mesmo que por razões em si mesmo distintas, pessoas de todos os quadrantes, funcionou como uma espécie de cola que uniu os cacos de que era constituída a sociedade!


 

1 comentário:

  1. Brilhante. Estou completamente de acordo. Porém pergunto.será para durar?

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