segunda-feira, 7 de maio de 2012

Os angolanos fazem-se ouvir no BPI


 


A notícia de que a Santoro de Isabel dos Santos comprou 9,43% do BPI ao Caixabank, deve ler-se assim:


Os brasileiros do Banco Itaú estavam fartos de perder dinheiro em Portugal e sem perspectivas de vir a melhorar, decidiram então vender a participação no BPI. Os espanhóis do La Caixa viram aqui uma oportunidade de controlar o BPI e a um preço aceitável, e vai de chegarem secretamente a acordo para lhes comprarem os 19% do BPI. Não sem antes pedir à CMVM que os ilibasse da OPA geral que os obrigaria a comprar tudo. O argumento era simples, "ficamos com 49% mas nos estatutos os votos continuam blindados a 20% e não vamos pôr mais gestores".


Os angolanos que já tinham 9% foram informados do facto consumado e disseram ao La Caixa, "atenção, não se esqueçam que o BPI precisa de Angola, pois o único banco que dá dinheiro ao BPI é o BFA, nós achamos que devíamos ter sido convidados a comprar acções do BPI ao Itaú, portanto, meus senhores passem para cá uma parte da participação do banco que compraram ao Itaú". Assim o desfecho é este: 


A Santoro, sociedade detida por Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, acordou a compra de mais 9,436% do BPI ao Caixabank, ao mesmo preço a que esta comprou ao Itaú, portanto 50 cêntimos. O Caixabank teve de vender e justificou dizendo:  "o CaixaBank não pretende, neste momento assumir o controlo do BPI e por isso decidiu vender parte das ações que havia adquirido ao Itaú". E ainda os elogiou referindo - se ao grupo Santoro  como "um excelente sócio para partilhar o projecto BPI, porque é um sócio estável que entrou no BPI em Dezembro de 2008."


Quem manda é quem tem o dinheiro.

2 comentários:

  1. António Pereira de Carvalho8 de maio de 2012 às 06:49

    “O dinheiro é um Deus vivo”
    Percy Bysshe Shelley
    (1792-1822)

    Bem actual e desde que há dinheiro ou riqueza... Nada de novo, portanto.

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    1. eu não sou maçon8 de maio de 2012 às 09:12

      Boa tarde,
      Ao contrário de Shelley que foi um extraordinário poeta eu que não sou materialista não gosto da metáfora Deus - Dinheiro faz-me arrepios, embora reconheça que ele faz isto andar, ora para a frente, ora (como é o nosso caso, europeu, e português, em particular) ao arrecuo!

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