A notícia de que a Santoro de Isabel dos Santos comprou 9,43% do BPI ao Caixabank, deve ler-se assim:
Os brasileiros do Banco Itaú estavam fartos de perder dinheiro em Portugal e sem perspectivas de vir a melhorar, decidiram então vender a participação no BPI. Os espanhóis do La Caixa viram aqui uma oportunidade de controlar o BPI e a um preço aceitável, e vai de chegarem secretamente a acordo para lhes comprarem os 19% do BPI. Não sem antes pedir à CMVM que os ilibasse da OPA geral que os obrigaria a comprar tudo. O argumento era simples, "ficamos com 49% mas nos estatutos os votos continuam blindados a 20% e não vamos pôr mais gestores".
Os angolanos que já tinham 9% foram informados do facto consumado e disseram ao La Caixa, "atenção, não se esqueçam que o BPI precisa de Angola, pois o único banco que dá dinheiro ao BPI é o BFA, nós achamos que devíamos ter sido convidados a comprar acções do BPI ao Itaú, portanto, meus senhores passem para cá uma parte da participação do banco que compraram ao Itaú". Assim o desfecho é este:
A Santoro, sociedade detida por Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, acordou a compra de mais 9,436% do BPI ao Caixabank, ao mesmo preço a que esta comprou ao Itaú, portanto 50 cêntimos. O Caixabank teve de vender e justificou dizendo: "o CaixaBank não pretende, neste momento assumir o controlo do BPI e por isso decidiu vender parte das ações que havia adquirido ao Itaú". E ainda os elogiou referindo - se ao grupo Santoro como "um excelente sócio para partilhar o projecto BPI, porque é um sócio estável que entrou no BPI em Dezembro de 2008."
Quem manda é quem tem o dinheiro.
“O dinheiro é um Deus vivo”
ResponderEliminarPercy Bysshe Shelley
(1792-1822)
Bem actual e desde que há dinheiro ou riqueza... Nada de novo, portanto.
Boa tarde,
EliminarAo contrário de Shelley que foi um extraordinário poeta eu que não sou materialista não gosto da metáfora Deus - Dinheiro faz-me arrepios, embora reconheça que ele faz isto andar, ora para a frente, ora (como é o nosso caso, europeu, e português, em particular) ao arrecuo!