quarta-feira, 16 de maio de 2012

Distinguir o bem do mal

Ora o que é que distingue um católico de um ateu? Para um católico o bem é não fazer mal aos outros, para um ateu o bem é o que é bom para si e para os seus e o mal é o que é mau para si e para os seus. É porque os valores católicos se têm esbatido que chegámos a este desnorte aonde nos encontramos.

10 comentários:

  1. Eu acho que não tem nada a ver com ser católico ou ateu, mas sim com o carácter, com a educação que receberam desde pequenos. :)

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    1. Estamos a distinguir coisas diferenciadas: a religião e a condição humana. Não me venham dizer que as pessoas por serem católicas são logo estruturalmente boas. Não é verdade. A qualidade das gentes é um espelho da sua educação. Logo chegamos onde chegamos porque há uma imensa falta de qualidade no sistema educativo, i.e, em que disciplinas como a moral (deixo cair a religião) e o civismo deveriam ser obrigatórias!

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    2. E acrescento: quem não tiver aproveitamento deveria reprovar o ano. O que vale passar um excelente aluno a matemática ou português se os seus comportamentos forem inaceitáveis?

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  2. António Pereira de Carvalho16 de maio de 2012 às 09:25

    “Que questões fulcrais levanta nas suas reflexões sobre o mundo contemporâneo? Refletem as suas inquietações enquanto homem? E historiador?
    Um dos mais graves problemas do mundo contemporâneo é a crise dos valores. É uma das consequências da perda de noção de “sagrado”. Sem o seu apoio é impossível justificar o respeito por valores intangíveis. Abre-se a porta ao arbitrário, à irresponsabilidade, à espiral da Laranja mecânica. A noção de “sagrado” é de natureza religiosa. Mas nada impede que seja recuperada por uma civilização secularizada. Existe em todas as religiões, o que quer dizer que é própria da humanidade e não de cada uma das religiões. Como historiador lembro a queda do Império Romano. Embora haja muitas teorias acerca deste facto (como, de resto, acerca do fim de todos os impérios), não pode deixar de se relacionar com a fragmentação da autoridade, a apropriação arbitrária do poder, o abuso da força, o esquecimento da lei. Não vejo diferença nenhuma entre este facto e o que se passa numa boa parte dos regimes africanos atuais.”
    José Mattoso
    JL (Jornal de Letras)
    Ano XXXII – Número 1085 – De 2 a 15 de maio de 2012, pág. 27
    Entrevista de Maria Leonor Nunes, por mail.

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  3. António Pereira de Carvalho16 de maio de 2012 às 09:27

    “A sabedoria está por toda a parte, mas ninguém a vê.”

    “Qual o lugar da sabedoria hoje, “entre o céu e a terra”?
    Onde quisermos. Ignorada pela alta finança, ofendida pelos políticos, agredida pela maioria da comunicação social, ameaçada pela cegueira da violência, desejada e praticada por muitos pobres, fracos e oprimidos, ameaçada pelos senhores da técnica, cultivada pelos místicos e contemplativos, esperança dos verdadeiros crentes de todas as religiões, aliada dos que respeitam a Natureza, sustentada pelos que buscam a beleza e a arte – a sabedoria está um pouco por toda a parte. Mas ninguém a vê .”

    José Mattoso
    JL (Jornal de Letras)
    Ano XXXII – Número 1085 – De 2 a 15 de maio de 2012, pág. 27
    Entrevista de Maria Leonor Nunes, por mail.

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  4. António Pereira de Carvalho16 de maio de 2012 às 10:03

    "O sagrado não pode ser tratado como um negócio"
    Empédocles
    (Agrigento, 495/490 - 435/430 a.C)

    Determinante, determinante, é a Parábola dos Talentos. Tal como a beleza, os traços fisionómicos, a inteligência ou a estatura, tudo dado por Deus, também o CORAÇÃO é nado... Depois vem o adquirido, o livre arbítrio, a "demoníaca" LIBERDADE, a racionalidade, para acrescentar, de nossa lavra, ao nado. No entanto, a matriz inicial, faz com que uns partam com mais avanço do que outros na procura do AMOR, do BEM e do BELO. E uns parecem ter sido bafejados com "tudo" e outros com "nada".

    Uma coisa é certa, certíssima. O renegar de 2000 anos de civilização e da sua matriz essencial, os valores cristãos, a troco de NADA e de ILUSÕES, numa aparente vitória da SOBERBA, é muito responsável, quase em exclusivo, pela crise civilizacional que se vive, em particular no Ocidente. É o mesmo que confundir ou trocar a ÁGUA por BAGAÇO. Que resultados se esperam? Conheço ateus, agnósticos e católicos excepcionais como conheço ateus, agnósticos e católicos abjectos. É evidente que quantos melhores princípios e valores, venham eles de onde vierem, melhor. Mas, sendo condição necessária e importante, não é suficiente. Falta sempre "o mistério". Conhecesse "criação" mais estúpida e destruidora do que a SOCIEDADE DE CONSUMO !!! ??? Mais do que qualquer CRESCIMENTO ECONÓMICO, a Europa e o Ocidente do que precisam é de «"temperar" de espiritualidade o materialismo e a racionalidade dominantes como um caminho para "atrevessar a crise". »

    Bem o ilustra Millôr Fernandes:

    “Quando começou a comprar almas, o diabo inventou a sociedade de consumo.”


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    1. Bem mantenho o que disse. É tudo uma questão de valores, isto é de conceitos de bem e mal. Para os ateus o que interessa é o que nos faz bem, a nós e aos nossos. Isso é o valor absoluto. Para uma educação católica, o bem é não fazer mal ao outro. Eu digo também que os valores católicos se têm esbatido. Os que se dizem católicos muitos deles perderam a noção do pecado (como um acto nosso contra o outro), mais uma vez sentem-se católicos como uma questão de pertença social (em Portugal tudo se resume a isso) mas no fundo estão a gerir as suas relações em função daquilo que lhes faz bem a eles e não se sentem culpados de magoar alguém se para não fazerem mal pudessem no imediato ser prejudicados.

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    2. António Pereira de Carvalho17 de maio de 2012 às 09:31

      "Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós. E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão."
      MATEUS

      Com todo o respeito, penso ser a questão muito mais profunda e MISTERIOSA!!! De algo estou profundamente convicto: que, no essencial, Deus só nos pede duas coisas: bons pensamentos e muito em particular, boas acções. E que estas têm sempre uma MATRIZ básica, antes do MANDAMENTO NOVO, que se resume no aforismo, "não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti"...

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  5. Maria,
    uma questão que não estando directamente relacionada com a tua reflexão parece ser bastante interessante para ser analisada. Tu colocas o problema na perspectiva de católica que és. No entanto, a questão fé versus ateísmo não é um exclusivo do nosso mundo ocidental, ou seja, em tua opinião isto não se aplica - ou, pelo contrário, aplica-se em igual medida - aos muçulmanos, budistas entre outras religiões? Acho que seria interessante ver-se se a distinção bem/mal aplica-se nesses outros "hemisférios religiosos", até como sabemos a moral entre os muçulmanos não "Pêra doce"! O que te parece?

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  6. António Pereira de Carvalho18 de maio de 2012 às 06:46

    "Nada perturba tanto a vida humana como a ignorância do bem e do mal."
    CÍCERO
    (Marco Túlio)
    (3.1.106 a. C. – 7.12.43 a. C)

    Eis porque é muito importante um bom quadro base de valores e princípios, para além dos do Direito Natural.

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