Durante décadas navegaram confortavelmente nas águas dos prejuízos com crédito ilimitado. Por causa disso, as empresas de transportes já pagam mais de juros do que salários aos trabalhadores. Só em juros, em 2010, as empresas públicas de transportes pagaram 600 milhões de euros. Se pensam que os salários eram baixos, desenganem-se, segundo uma notícia do Jornal Sol, há maquinistas da CP que ganham 50 mil euros, o que dá mais ou menos (fazendo a conta a 14 meses) uns 3571 euros por mês. Uma secretária administrativa que ganha 65 mil euros por mês. Os trabalhadores das empresas públicas têm subsídios de tudo e mais alguma coisa, de assíduidade, de antiguidade, e sei lá que mais acabado em ade ...
Os trabalhadores vão perder parte do que ganhavam e eu percebo que estejam furiosos (e façam greve), pois organizaram a sua vida em função de um rendimento que parecia imutável, qualquer que fosse o prejuízo no fim do ano. A culpa é da filosofia de gestão que reinou nestes anos todos. Hoje os bancos portugueses, que têm sustentado estas megalomanias, não têm dinheiro para continuar a renovar os créditos eternos a estas empresas. O Estado nunca morre e por isso não há prazo de pagamento e assim as dívidas das empresas de transportes são eternas como os diamantes.
O Ministro da Economia, o apolítico Álvaro Santos Pereira, tem se desdobrado em alertas: "Só em dívidas do sector, temos cerca de 17 mil milhões de euros, cerca de 10% de tudo o que produzimos num ano". Os prejuízos destas empresas rondam os 1000 milhões de euros.
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