
Este post é um comentário à frase de Vergílio Ferreira e com a qual concordo em absoluto.
«Crer para ver».
Eu vejo para existir. As pessoas vêem para existir. Isto quer dizer que a visão (o sentido) aliada à razão significa: a existência. E, por outro lado, define claramente a fronteira entre o privado e o público. Evocar este assunto num blogue que tem como mentora uma jornalista tem uma significativa importância. Se fizermos este exercício aplicado à “sensibilidade” do “mal afamado” segredo de justiça reparamos que, desde logo, o objectivo é, da parte de uns, tornar público algo que é, nesse contexto, privado, e os outros procuram precisamente manter na esfera privada algo que convêm ser resguardado do “olhar público”; mantendo-o na “esfera privada”, seja, por causa das investigações em curso, seja para resguardo dos defensores do presumível culpado, tornando a justiça mais fluida! Estou convencido que muito do atraso na justiça resulta, a meu ver, da incapacidade de se manter esse equilíbrio. Ora, jornalistas (i.e., a substância colectiva) em nome da verdade, da manchete, do currículo, andam à cata dos ossos que irão roer. Dito de forma menos carnívora e “mais oxigenada”procuram o ar que os faz respirar. Até porque, tendo em consideração a volatilidade que a classe padece, o caminho (não raras vezes) é o desemprego ou a prateleira!
Sobre esta temática, ou seja, a distinção Público / privado recomendo que se leia (ou, já agora alguém de reedite) "Crise da democracia, crise da civilização" de Jean Lacroix. [Lisboa : Moraes, 1968].
(Corrigi gralhas) António não sei se percebi muito bem a tua linha de raciocínio... mas sobre os jornalistas (e eu não me encaixo nesse estereótipo, de resto não me encaixo em nenhum estereótipo), parece-me que eles limitam-se a ser o espelho da vontade e gosto dos portugueses, das elites incluindo. Os jornalistas dão aquilo que os leitores querem... infelizmente não contribuem muito para formar mentalidades, para mudar mentalidades.
ResponderEliminarMaria,
EliminarEste post não é sobre jornalistas, mas sobre a importância social e humana da visão, ou seja, como sinónimo de existência: “ (…) pode muito bem acontecer que tornar-se objecto para o outro seja condição da minha existência real”. O próprio Kant meditou sobre estes assuntos ao afirmar que a “representação da minha existência (a “existência íntima”) só acontece com base na experiência externa.”
No entanto, a distinção / fronteira entre o público e o privado não se situa somente no campo da visão. A “confissão” é outro mecanismo com qual o privado se torna público. Já que ele é sinónimo de “revelação da pessoa”.
Muito mais haveria para escrever. Um dia destes voltarei a esta temática importante e fascinante!