"A sinceridade é uma impotência de espírito e a mais deselegante das virtudes." Agustina Bessa Luís, no Sibila
Ao ler a entrevista de Eduardo Catroga ao Económico TV, que foi publicada, no Diário Económico, lembrei-me desta frase da Agustina Bessa Luís, sobre a sinceridade.
Catroga, num ataque de sinceridade sem pudor (será a idade um posto?), decide contar um história sobre um "auto-intitulado candidato a presidente da CGD", porque, qual justiceiro, "ele merece, porque no outro dia, disse mal de mim". De quem está a falar? Pergunta o entrevistador, "- Do meu amigo Dr. Manuel Pinho. Há uns meses, precisamente a propósito da Caixa e da interferência do poder político, estava a dizer-me que tinha um convite para os Estados Unidos (...) mas também que se falava de si [Manuel Pinho] para a Caixa mas «aquilo só dá 350 mil euros mais um carro, preciso de ganhar mais». E eu [Catroga speaking] disse-lhe Manuel, alto aí, a Caixa nunca pagou bem relativamente aos outros bancos privados, mas dava estatuto. Agora vocês estragaram o estatuto da Caixa, nomeando pessoas sem categoria para serem administradores. E ele ficou a olhar para mim. Agora disse-lhe, nem dinheiro, nem estatuto. Eu também fui mauzinho reconheço."
Bem e viva a sinceridade, de facto, passamos de um extremo ao outro, de um profissional do marketing (palavra moderna para a mentira) para uma sinceridade incontinente.
As nossas elites são uma lástima. Reparem na conversa "aquilo só dá 350 mil euros e um carro preciso de ganhar mais" dito por um homem que se assume como arauto da cultura, sendo um dos grandes coleccionadores de arte, e o outro "ele merece porque no outro dia disse mal de mim".
Devia haver um curso de nobreza de carácter, sobretudo num mundo onde a Igreja católica perdeu peso na educação dos valores....
Peço desculpa pelas repetições!!!
ResponderEliminar“A elite local envergonhava a República Dominicana”.
Diário de Notícias, 28 de Janeiro de 2001 (FAZ DE CONTA “Guia de Portugal”)
Vasco Pulido Valente
“Esta crise do BCP, pode parecer uma guerrinha que à distância do tempo tenderá a parecer arqueologia, mas ela é o reflexo de um país à deriva, submerso na lógica demagógica do poder das aparências. O BCP é hoje uma extensão da filosofia que rege o país, em que se quer fazer acreditar que o que parece é.”
Terramoto BCP Toda a história
Booknomics, 1ª Edição, Junho de 2008, pág. 222
Maria Teixeira Alves
Peço desculpa pelas repetições...
ResponderEliminar“Chaves, 30 de Agosto de 1990 – É escusado teimar. A ser banal, a dizer banalidades e a pensar banalidades é que o português é português.”
Miguel Torga, Diário XVI, página 28
“Coimbra, 28 de Novembro de 1990 – Bem luto. Mas nada consigo. A hora é dos felizes que, acomodados no conforto de qualquer manjedoira, nem sequer têm má consciência da sua má consciência.”
Miguel Torga, Diário XVI, página 42
“Temos pouca gente decente em Portugal.”
Jornal de Negócios, sexta-feira, 27.8.2010
Weekend, págs. 4 a 11
Entrevista a Anabela Mota Ribeiro
Miguel Veiga
“...Tenho andado a trabalhar num conceito que é desconhecido em Portugal, ou pelo menos pouco praticado: a decência.” Explique lá isso. “É a tradução em calão português do maior conceito de cidadania anglo-saxónico, decency. Não vamos entrar no reino das nuvens, das grandes frases e da retórica. Uma das primeiras manifestações da decency é o trabalho competente. Aqui, quando se fala num tipo decente, é um tipo que lava as mãos ou outra coisa no bidé todos os dias. Um conceito de higiene física. Temos pouca gente decente em Portugal. É um dos falhanços do 25 de Abril, que trouxe tantas coisas, mas que nunca conseguiu criar um conceito de cidadania e de decência para a generalidade das pessoas. ...”
“QUAL A PRINCIPAL CARACTERÍSTICA PARA SE SER UM BOM LÍDER?
ResponderEliminarA BASE DA LIDERANÇA ESTÁ NO CARÁCTER. SEM ISSO, O RESTO COLAPSA.”
Entrevista ao semanário SOL (Confidencial, pág. 15) em 25.2.2011
Managing Partner da Leadersrship Business Consulting
Carlos Oliveira
Quando escrevi isto estava longe de imaginar a liberdade de linguagem de Catroga! Meu Deus...
ResponderEliminar"A boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte tem valor."
EliminarPadre António Vieira
(1608-1697)
Liberdade de linguagem seria se ele tivesse dito "MERDAS". Ao dizer o que disse entrou, infelizmente e de forma directa, na mais elementar falta de "bom senso e bom gosto", passando ao não adjectivável, com prenúncios fortes de uma senilidade galopante a instalar-se...
Mas, analisando-se bem, tudo é COERENTE... O diálogo revelado com Manuel Pinho (o dos corninhos e que militou na UEC) indicia já um estado de abjecção, recíproca, inimaginável à luz dos mais básicos princípios e valores e urbanidade mínima, dando plena razão às citações de Vasco Pulido Valente, Miguel Veiga, Miguel Torga, etc... Mau de mais para ser verdade. E Portugal está exactamente à imagem destas "lideranças"... Tudo um NOJO!!!
Nada de bom se pronúncia no horizonte.
Coitado do bom povo português.
Rezemos e confiemos na Providência Divina.
PS - No Turf, Tauromáquico e noutras piolheiras do género, a nossa excelsa "aristocracia" dirá: "Também de um tipo de apelido Catroga, ex-ministro de Cavaco, outra coisa não seria de esperar..."