segunda-feira, 16 de maio de 2011

Debate Pedro Passos Coelho versus Paulo Portas

O que vimos na passada sexta feira, dia 13 de Maio (dia de nossa Senhora de Fátima) foi um debate condicionado pela necessidade de entendimento entre os dois partidos, cujos líderes se apresentavam ali em confronto, e pela ambição de Paulo Portas em chegar a principal partido da oposição. Uma contradição insanável que tornou o debate entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, tenso. O líder o PP lidou com esta contradição insanável assumindo uma postura paternalista. Ao mesmo tempo que criticava Passos Coelhos, fingia que o estava a fazer para o bem do líder do partido com quem irá coligar-se num eventual governo de direita, pôs-se numa atitude de "aprende que eu não duro sempre". Pedro Passos Coelho foi mais puro, mais leal, tem mais pudor, menos tricky (eu prefiro este estilo). Passos Coelho tem mais pruridos morais e tem pudor em atacar violentamente um potencial aliado num futuro Governo.  Mas isso deixou-o numa posição de submissão face a Portas.


Na perspectiva puramente política, Paulo Portas, tem mais confiança e ganhou o debate. Tem mais experiência em driblar politicamente os adversários. Tem uma lábia política interessante. Passos Coelho ainda é sério demais para conseguir responder à letra a esta desgarrada.


Em termos de programas e de ideologias, o CDS, talvez porque gostaria de chegar a partido de Governo, surge mais ao centro. Ou seja nestas eleições o CDS surge mais à esquerda que o PSD. Basta ver que Portas não quer privatizar a CGD, critica as medidas que favorecem as empresas, como a taxa social única (em termos de críticas ao PSD, o CDS está muito próximo de Sócrates).


Como não podia deixar de ser, Portas apontou o dedo às trapalhadas de discurso do PSD em relação à história da descida taxa social única(Sócrates vai fazer o mesmo). No entanto Passos Coelho tem razão em defender a implementação da descida da TSU. Esta medida é uma das exigências da troika, e terá de ser feita da forma como está descrita no programa do PSD. Portas com aquela teoria de que aprovou as medidas da troika com ressalvas à descida da taxa social única, ficou no sítio onde está mais confortável: "não determinação". Ou seja é favor da descida da TSU, ou talvez não. Passos Coelho defendeu bem essa causa e tentou aplanar as trapalhadas de discurso. Disse a única coisa que é verdade: a descida da TSU é obrigatória pela troika (Portas reproduziu um cliché de que em termos graduais não há grandes  poupanças na descida desta taxa, mas é claro que haverá grandes vantagens no fim do percurso de descida. Não se ganha muito durante a descida, só se ganha muito quando atingir a descida que se pretende).


Paulo Portas defendeu bem a sua imagem de marca, quando acusou:  "a política do PSD para a agricultura, nos últimos anos, foi um deserto."


Paulo Portas demonstrou bem que está aqui para ganhar os votos do PSD.  Portas chegou mesmo a anunciar (ainda não havia programa do CDS) "vai descer os deputados [dos actuais 230 para 181] eu faço melhor desço-os para 115". Pedro Passos Coelho confrontou-o com a demagogia de tal afirmação. Obviamente não é possível reduzir o número de deputados para 115 porque isso implica uma alteração da Constituição, e isso sem o PS não é possível. Mas não deixemos a verdade estragar uma boa promessa.


Portas ainda tentou, num papel mais de entrevistado do que de adversário, uma vez que não apresentou grandes  medidas alternativas para o confronto, pôr o Passos a cometer mais trapalhadas em relação ao aumento do IVA, mas o líder do PSD não caiu na armadilha.  


Vimos um Paulo Portas confiante e incisivo (mostra-se mais opositor a Passos do que se mostrou a Manuela Ferreira Leite nas eleições passadas, o que eu até percebo). Pedro Passos Coelho perdeu o debate político mas pode ter ganho a simpatia dos eleitores. Ás vezes ser bom político é o contrário de ser de confiança e o país está farto de bons oradores, já tivemos Sócrates.  


 


Por coincidência nesse mesmo dia foram apresentadas as sondagens da Intercampus para o Público e TVI onde o PS ultrapassa o PSD nas intenções de voto, com 36,8 por cento, contra 33,9 por cento para o PSD. O CDS sobe para 13,4%. A direita que se cuide!


 


 



 


 P.S. Peço desculpa pelo atraso da publicação deste comentário.

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