Nesta geração Portugal não tem remédio. Lamento, mas não tem. Este é o tempo mais ingrato, porque as pessoas herdaram os valores do Estado novo (os preconceitos, os chavões) sem as competências do século XXI. A começar pelas elites. As elites portuguesas são cheias de si, cheias de certezas, chavões e convicções assentes em cima de ignorância e preguiça em conhecer mais. A única coisa que podem fazer é através do voto, e do exemplo nas atitudes. Pois o resultado não pode ser pior. Os portugueses são os campeões da futilidade. Não têm grande brio moral e ético, não se importam de passar a perna sempre que podem. Mas vibram com nomes, festas, relações sociais (a rede de conhecimentos), deliram com a neve, com a Comporta, com os sítios in para passar férias. São profundamente preconceituosos com umas coisas, e pateticamente modernos noutros assuntos (sobretudo naqueles que não lhe ameaçam o status quo e que são importados da Europa). Somos uns provincianos. Mas não é só o povo que é provinciano, as elites também são provincianas e muito pouca gente fica imune a isto. Veja-se o tema das eleições, a direita vota em nichos "para proporcionar a coligação" e foi assim que o PSD da Manuel Ferreira Leite perdeu as eleições para o Sócrates, que nos arrastou até onde estamos. Na altura os meus amigos diziam assim: "nós não gostamos do Sócrates, mas a Ferreira Leite não serve porque veio dizer que defende a família, em que tempo é que ela vive, vou votar PP". Pronto uma bancarrota depois e o erro ameaça voltar a repetir-se. Já está a direita a apelar ao voto no PP para forçar a coligação, porque o Passos Coelho "não fala tão bem como o Sócrates" e depois "falou em subir os impostos". Nós queremos a verdade, mas nem tanto. Agora voltamos a ouvir a direita dizer que vai votar PP para forçar a coligação, e vai ser assim que vamos ter um Sócrates vencedor e um PP com 10%, ena!
“A elite local envergonhava a República Dominicana”.
ResponderEliminarDiário de Notícias, 28 de Janeiro de 2001 (FAZ DE CONTA “Guia de Portugal”)
Vasco Pulido Valente
“Temos pouca gente decente em Portugal.”
Jornal de Negócios, sexta-feira, 27.8.2010
Weekend, págs. 4 a 11
Entrevista a Anabela Mota Ribeiro
Miguel Veiga
“... Era um homem com referências éticas, um homem limpo, decente. Tenho andado a trabalhar num conceito que é desconhecido em Portugal, ou pelo menos pouco praticado: a decência.” Explique lá isso. “É a tradução em calão português do maior conceito de cidadania anglo-saxónico, decency. Não vamos entrar no reino das nuvens, das grandes frases e da retórica. Uma das primeiras manifestações da decency é o trabalho competente. Aqui, quando se fala num tipo decente, é um tipo que lava as mãos ou outra coisa no bidé todos os dias. Um conceito de higiene física. Temos pouca gente decente em Portugal. É um dos falhanços do 25 de Abril, que trouxe tantas coisas, mas que nunca conseguiu criar um conceito de cidadania e de decência para a generalidade das pessoas. ...”
“Esta crise do BCP, pode parecer uma guerrinha que à distância do tempo tenderá a parecer arqueologia, mas ela é o reflexo de um país à deriva, submerso na lógica demagógica do poder das aparências. O BCP é hoje uma extensão da filosofia que rege o país, em que se quer fazer acreditar que o que parece é.”
Terramoto BCP Toda a história
Booknomics, 1ª Edição, Junho de 2008, pág. 222
Maria Teixeira Alves
“Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros – é a única”
Albert Schweitzer
(1875-1965)
Excelente POST, como são quase sempre os da "dona" deste blog.
"Um fraco Rei faz fraca a forte gente". Tenho um enorme orgulho em Portugal e nos portugueses. Não me restam dúvidas que são os "fracos Reis", isto é, as nossas supostas "elites", que tudo conseguem destruir... A AUTO-EUROPA, que eu saiba, tem 99,99% de portugueses e agora até um líder/maestro português, mas "formatado" na Alemanha, conseguindo ser das unidades mais produtivas da VW do mundo. São precisos mais exemplos?