sexta-feira, 22 de abril de 2011

Farta de hipocrisia

1 - Acabei de perder um "amigo" do Facebook. Isto porque ele pôs um post a "gozar" com a mulher de Pedro Passos Coelho. Ao que eu perguntei se ele preferia que no lugar dela lá estivesse um homem. Obviamente deu-me a resposta previsível, mais ou menos isto: "Cada um dorme com quem quiser". Apercebendo-me que se orgulhava desta sua suposta superioridade moral. Indignei-me e perguntei-lhe " A sério?! É que acabas de embirrar com a mulher de Passos Coelho, se lá estivesse um homem ou uma ovelha já não gozarias, porque aí entra a tolerância pela 'vida privada de cada um'. Fazes-me lembrar uma amiga minha, que é a favor do casamento gay, e uma vez numa conversa sobre um casal de namorados que ia casar, ela disse-me EU SOU CONTRA O CASAMENTO. Ao que eu respondi, ÉS CONTRA, EXCEPTO SE FOR GAY, QUE ÉS A FAVOR. Acordem arautos da tolerância incoerente! " E zás ele apagou-me do Facebook. Aí está um exemplo de tolerância.


 


2- O país de Sócrates é um país provinciano, que tem da modernidade uma ideia absolutamente fútil.Sócrates é, como a maioria das elites deste país, FÚTIL. Sócrates imaginou um país high-tech, imaginou um país cheio de auto-estradas e comboios modernos, uma cidade do futuro ao nível do melhor filme de ficção cientifica; sem casamentos; sem amor; sem fé; sem vida. Cheio de jogging, sushi, vida cosmopolita, individualismo, uniões gays. Isto é o país de Sócrates.


Mas depois esqueceu-se de dar o básico: os portugueses estavam em vias de ter um TGV, mas continuam sem ter acesso a DENTISTAS. Sabem que o serviço nacional de saúde não tem dentistas? Os portugueses podem ter o TGV, mas estamos ao nível da idade média na medicina dentária que devia ser tão gratuita como o resto. Os portugueses fazem jogging com Ipod´s nos ouvidos, mas estão sem dentes, ou com os dentes estragados porque é caríssimo ir ao dentista. Os portugueses têm muitas auto-estradas e quase tiveram o TGV mas ninguém tem dinheiro para sair de casa dos pais. Não se consegue viver neste país com 500 e 600 euros por mês. Muita gente, licenciados, chegam aos 40 e não ganham mais de 1000 euros.


Percebem porque é que eu acho isto um absurdo?


 


Também publicado no Corta-Fitas

4 comentários:

  1. Muito, muito, mas muito bom! (o post, não o triste estado deste país!)

    ResponderEliminar
  2. Parabéns pelo post e pelo blogue!
    Descobri-vos por acaso, mas vou continuar a ler.
    Temos de pôr as coisas no seu verdadeiro lugar. Há para aí já gente de mais que não sabe o que é certo e o que é errado, e isso reflecte-se na vida (desorganizada) de tantos, e vai-se arrastar ao País.
    Mas a culpa deste estado de coisas sabe-se bem de quem é: de uns políticos sem moral, nem princípios, nem cultura, nem coisa nenhuma, que chegaram ao poder sabe-se lá como, e que têm sido mais que nefastos para os Portugueses!
    A ver se isto muda... Mas com as tvs a educar e a embrutecer o Povo... vai ser difícil...
    Saudações e felicidades!

    ResponderEliminar
  3. Acrescento outro comentário sobre o mesmo tema, que publiquei no Corta-Fitas:

    Modernidade fútil: Sócrates imaginou um país high-tech, com computadores Magalhães, cheio de auto-estradas e comboios de alta velocidade, imensos telemóveis. Mas o Serviço Nacional de Saúde continua a não ter dentistas. É mais barato comprar um Ipod (e até um Ipad) do que arranjar os dentes. Sócrates fez dos portugueses uns desdentados de Ipod!

    ResponderEliminar