O que distingue este movimento, que eclodiu nestes países árabes, das revoluções pela democracia na América Latina e na Europa, é que estas revoluções árabes não têm direcção, nem organização, nem programa.
Pode ser que este seja o primeiro dia do resto da vida dos países árabes, que têm estado entalados entre as ditaduras laicas e o fundamentalismo religioso.
Mas é preciso perguntar:
O que há para lá de Mubarak? A Irmandade Muçulmana é o grupo mais organizado da oposição no Egipto. Quem é a Irmandade Muçulmana? A Irmandade Muçulmana atacou o turismo através de grupos saídos das suas fileiras e o turismo faz viver dois a três milhões de famílias egípcias.
Este grupo anunciou que iria juntar-se aos manifestantes anti-Mubarak que têm abalado o regime egípcio nos últimos dias. Os especialistas não acreditam que este grupo, meio clandestino, seja governo. No entanto a Irmandade consegue fazer eleger vários deputados que se candidatam como independentes.
O que há para lá de Ben Ali? A Tunísia está sob um governo de União Nacional, desde a queda e fuga de Ben Ali. Liderado provisoriamente e até às eleições por Mohamed Ghannouchi. Mas nem por isso a violência parou na Tunísia. Nas ruas de Túnis há uma forte oposição ao governo de transição por incluir pessoas do partido de Ben Ali, o RCD. Desde a queda de Ali, foram constituídos três partidos que se preparam para disputar o poder. São eles: o Tunísia Verde, de Abdelkader Zituni, o Partido Socialista de Esquerda, de Mohamed Kilani, e o Partido do Trabalho Patriótico e Democrático, de Abderrazek Hamami.
Já há apelos a uma revolução esta sexta-feira na Síria, a que chamam o "Dia da Ira Síria".
Pode isto ser uma viragem estrutural do mundo árabe para a democracia? Ou é isto o rastilho para uma guerra no mundo árabe?
Post publicado em simultâneo nos dois blogs Corta-Fitas e Farpas
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