sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Distracções com o pagamento da conta da água, dá direito a pesada execução fiscal

Atraso na conta da água, leva a coisa para execução fiscal e obriga ao pagamento de custas e juros de mora. A conta da água pode ficar pelo triplo do valor.


 


E quando falta a água poderemos nós executar o Estado com custas e juros de mora?


 


Faço minha a indignação de Eça de Queiroz:


 



 


Ilus. e Ex.mo Senhor Carlos Pinto Coelho


digno director da Companhia das Águas e


digno membro do Partido Legitimista:


 


Dois factos igualmente graves e igualmente importantes, para mim, me levam a dirigir a V. Exa. estas humildes regras: o primeiro é a tomada de Cuenca e as últimas vitórias das forças Carlistas sobre as tropas Republicanas, em Espanha: o segundo é a falta de água na minha cozinha e no meu quarto de banho.


Abundam os Carlistas e escassearam as águas, eis uma coincidência histórica que deve comover duplamente uma alma sobre a qual pesa, como na de V. Exa., a responsabilidade da canalização e a do direito divino.


Se eu tiver fortuna de exacerbar até às lágrimas a justa comoção de V. Exa., que eu interponha o meu contador, Exmo. Senhor, que eu interponha nas relações de sensibilidade de V. Exa., com o Mundo externo; e que essas lágrimas benditas de industrial e de político caiam na minha bandeira!


E, pago este tributo aos nossos afectos, falemos um pouco, se V. Exa. o permite, dos nossos contratos. Em virtude do meu escrito, devidamente firmado por V. Exa., e por mim, temos nós – um para com o outro – um certo número de direitos e encargos. Eu obriguei-me, para com V. Exa., a pagar a despesa de uma encanação, e aluguer de um contador e o preço da água que consumisse.


V. Exa. fornecia, eu pagava. Faltamos, evidentemente, à fé deste contrato; eu, se não pagar, V. Exa., se não fornecer.


Se eu não pagar, faz isto: corta-me a canalização.


Quando V. Exa. não fornecer, o que hei-de fazer, Exmo. Senhor? É evidente que para que o nosso contrato não seja inteiramente leonino, eu preciso, no análogo àquele em que V. Exa. me cortaria a canalização, de cortar alguma coisa a V. Exa.


Oh! E hei-de cortar-lha!…


Eu não peço indemnizações pela perda que estou sofrendo, eu não peço contas, eu não peço explicações, eu chego a nem sequer pedir água. Não quero pôr a Companhia em dificuldades, não quero causar-lhe desgostos nem prejuízos…


Quero apenas esta pequena desafronta, bem simples e bem razoável, perante o direito e a justiça distribuída: – quero cortar uma coisa a V. Exa.!


Rogo-lhe, Exmo. Senhor, a especial fineza de me dizer, imediatamente, peremptoriamente, sem evasivas nem tergiversações, qual é a coisa que, no mais santo uso do meu pleno direito, eu posso cortar a V. Exa.


Tenho a honra de ser


De V. Exa. com muita consideração


e com algumas tesouras

1 comentário:

  1. Viva o Partido Chuchalista portuiguês, o parido da chuca, o parido que gostam de nos chupar até ao tutano. É assim como uma espécie ranhosa de vampiros!

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