terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O momento é histórico e (só) não sabemos onde irá terminar.

Corremos o risco de nos repetir. Pouco importa. Tudo começou na Tunísia e (só) não sabemos onde irá terminar. As consequências do levantamento popular que tem ocorrido no Mundo Árabe têm, desde já, algumas particularidades que me parecem interessantes:



  1. É a primeira vez na história universal – eu não conheço outro caso – em que as revoluções iniciam no povo, i.e., sem a acção directa das forças militares.

  2. A emergência das novas tecnologias de comunicação, nomeadamente das “redes sociais” tem tido neste contexto – e por isso mesmo não sabemos ao certo onde terminarão – um peso fundamental. O Facebook, por um lado, e o “telefone árabe”, por outro, tem espalhado o grito da mudança de forma imparável!

  3. No contexto de crise económica em que vivemos estes levantamentos populares – em particular o que está a ocorrer actualmente na Líbia – tem provocado (naturalmente) grande pressão no mercado petrolífero, elevando o preço do crude a máximos históricos que, nesta situação crítica da economia, era desnecessária.

  4. Reparo que os Estados Unidos da América estão completamente à nora com que está a ocorrer no Mundo Árabe e Médio Oriente, em particular. Desconheço, também, se poderiam fazer alguma coisa em particular. Seria aliás interessante, num exercício “contra-factual” pensar-se como teriam reagido caso o poder americano estivesse nas mãos dos republicanos. Porém, mesmo neste hipotético cenário, eles estariam igualmente manietados. Quando a sua base legítima é  popular e essencialmente laica nada se pode fazer. O interessante é perspectivar-se o futuro das forças oposicionistas, mormente,  saber-se como é que as forças de cariz religioso se irão organizar e agir.

  5. E, finalmente, graças a esta (sempre latente) ameaça “teocrática” a democracia irá ser sempre uma miragem. Os países árabes continuarão muito longe do que (nós) entendemos por democracia. Hão-de continuar a nível (sobretudo) sociocultural subdesenvolvidos. O exemplo da reacção – espero que o “cantar do cisne” – da “ditadura Khadafi” é característico deste “terceiromundismo”!


 


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