Se há alguma coisa que transparece da troca de cartas e recados entre a administração do BPI e o accionista angolano Santoro (de Isabel dos Santos que em Angola é accionista do BFA através da Unitel) é que o futuro passa por um divórcio.
O BPI tem de deixar partir o BFA e em troca tem de convencer Isabel dos Santos a sair do capital do BPI: O Caixabank tem de ser o comprador desse capital, desbloquear os votos e fazer o banco liderado por Fernando Ulrich partir para outras aquisições. Em Portugal, através da compra pelo BPI do Novo Banco, por exemplo, ou aquisições fora de Portugal (evitem Brasil, Angola e Moçambique) de forma a voltarem a ser um grupo com lucros consolidados (o que deixa de acontecer sem o BFA).
Este é o momento ideal para o fazer, se não o fizerem agora poderão não ter nova oportunidade e o BPI pode estar em risco. Ou poderá cair no colo de Isabel dos Santos.
A carta de Fernando Ulrich à Unitel de Isabel dos Santos é o culminar de um casamento dificil que teve já fortes revés, como a oposição à OPA da Caixabank, que impediu que o BPI se mantivesse na corrida ao Novo Banco; uma proposta de fusão com o BCP, do accionista angolano, que ficou na gaveta por inacção; esta cisão simples com destaque dos activos angolanos que tem agora a oposição violenta do grupo de Isabel dos Santos e uma proposta alternativa para comprar 10% do BFA por 140 milhões de euros, sendo que apenas 50 milhões são pagos pela Unitel o resto é ao longo de três anos, provavelmente com os lucros do BFA.
Será esta solução proposta suficiente para ultrapassar os grandes riscos a Angola? Vejamos o que diz a carta publicada hoje na CMVM, do BPI em resposta à carta da Unitel:
"Porém, perante o enquadramento e as circunstâncias que acima se descreveram, o Conselho de Administração do BPI concluiu que nenhuma delas se apresentavam como meio adequado para resolver a questão da ultrapassagem do limite dos grandes riscos para o qual o banco tem de apresentar uma solução dentro prazo que para o efeito se encontra definido por decisão do BCE.
(...) o BPI irá agora analisar as propostas apresentadas por V. Exas, e transmitir-lhes-á a sua posição sobre as mesmas logo que tal análise se encontre concluída".
É este o momento para negociarem um divórcio amigável. Parece-me.
P.S. Obviamente que um cenário de compra do Caixabank da posição da Santoro implicaria uma OPA.
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