O filme que relata os visionários que previram a furacão que varreu Wall Street, com a explosão do mercado hipotecário subprime e que apostaram na queda das obrigações hipotecárias que iam desde os ratings piores aos melhores, está aí nos cinemas. Com realização de Adam McKay o filma adopta o livro de Michael Lewis.
Mais ou menos foi isto que se passou: Um dia Michael Burry que tinha uma gestora de hedge funds, deu-se ao trabalho de analisar a situação dos créditos hipotecários que compunham as séries de obrigações hipotecárias que eram consideradas de risco triple A (bom risco) e descobriu que a componente de empréstimos hipotecários de alto risco (mesmo já com incumprimentos) era 65% dessas Obrigações. Estava a vender-se embrulhado em produto de bom risco autênticas carteiras de credito tóxico. Previu em 2005 que em 2007 quando as taxas de juros de crédito à habitação fossem predominantemente variáveis que a maioria dos detentores desses créditos ia deixar de pagar as suas casas, ia haver uma explosão da bomba imobiliária. A concessão de crédito com hipoteca estava a ser tão fácil que cada pessoa tinha mais do que uma casa a crédito, e alugava e ganhava dinheiro. Mas a recessão, o desemprego e a subida dos juros ia acabar com este paraíso. Na altura todos os bancos apostavam que obrigações hipotecárias eram sem risco. O gestor visionário foi bater à porta de todos os grandes bancos dos Estados Unidos a propor-lhe investir na queda dessas obrigações, e daí surgiu o produto financeiro Crédit Default Swap (um seguro accionado quando a queda se verificar). Depois disto outros três investidores em várias partes do sistema aperceberam-se da mesma oportunidade ganhar com a perda. Houve compra de instrumentos (swaps) que apostavam na queda das obrigações contra os bancos que apostavam na subida. Os CDO (collateralized debt obligation) e os sucessivos CDO sintéticos foram o gatilho que fizeram explodir a crise do subprime por todo o mundo. Nos Estados Unidos culminou com a falência do Lehman Brothers e com o bail-out de muitos dos grandes bancos norte-americanos, e fusões patrocinadas pelas autoridades. O arquitecto desta bomba relógio: Alan Greenspan.
O filme é fabuloso na maior parte do tempo, e na forma simples e despretensiosa com que descreve acontecimentos técnicos de alta complexidade, e só peca pelo tom moralista com que finaliza o filme. Tornando-o ideológico e recorrendo a slogans óbvios acabou por sujar uma boa obra cinematográfica.
O filme, elogiado pelo crítico Eurico de Barros aqui, que o descreve como um filme pop cool que "conta a história real de um pequeno e heteróclito grupo de investidores, quase todos na periferia do sistema financeiro, que adivinhou que a bolha ia rebentar e apostou contra o mercado, expondo-se à incredulidade e mesmo à troça geral, até os factos lhes darem razão — e uma fortuna em lucros", está candidato a melhor filme para os Óscares de 2016 e o realizador está também nomeado. O filme recebeu uma nomeação para os globos de ouro como melhor comédia. Nada mal para uma filme de baixo custo de produção.
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