quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ao ouvir o Paulo Gray

As Comissões Parlamentares de Inquérito à celebração de contratos de gestão de risco financeiro por empresas do sector público são verdadeiras aulas de mercados financeiros. Ao ouvir o Paulo Gray descobri que o swap de grau 1 (plain vanilla) é um swap de cobertura de risco de taxa de juro, em que no máximo se paga a taxa de juro fixada (ex: 5%) e o que se perde é o custo de oportunidade de a taxa variável estar a um nível mais baixo do que a taxa fixa contratada.


Mas há os temíveis snowball. O cupão é sempre adicionado. Por exemplo: aposta-se que a Euribor nunca baixa abaixo dos 2%, e com isto paga-se um cupão mais baixo, mas se a Euribor cair abaixo dos 2% há um acrescento gradual e acumula a taxa. A taxa acumula e pode chegar aos 10% e quando a Euribor sobe acima dos 2% a taxa continua a ser de 10%.


O pior cenário de um plain vanilla é pagar por exemplo 5%. Num snowball, o pior cenário é um juro crescente cumulativo que no limite pode ser um múltiplo das taxas de juro. Snowball pode ter um cap, o que é menos mal, mas sem cap não há limite para a subida dos juros.


O Metro do Porto contratou snowballs de grau 5. Ora eu acho que os snowballs deviam ser proibidos. Sobretudo os sem cap. Who on heart authorize them? 

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