"É melhor haver uma democracia pobre, suja, esfarrapada, do que uma ditadura opulenta. A democracia magoa, zanga-nos, dá trabalho - é como o amor. Um infinito de esperança em desilusão permanente. Do mal o menos. Antes um amor magoado do que amor nenhum. A ditadura é esse sossego do amor nenhum - os dias iguais e silenciosos."
Inês Pedrosa
Uma nota pessoal:
Nada tenho contra a Inês Poderosa. Tenho, como ela, ideias sobre a democracia é também a considero o espaço ideal para se discutir ideias e debater pontos de vista. Tal como ela, ao contrário de muito boa gente, gosto da democracia e irrita-me solenemente o paternalismo que as ditaduras incorporam. Foi assim com Salazar, foi e será sempre assim com todas as ditaduras e/ou com regimes “iliberais”, que em nome de tantas coisas privam os cidadãos de serem verdadeiramente livres. É assim na Venezuela. É assim nos Estados Unidos que em nome de um bem-estar colectivo não se inibem de espiar a vida dos seus concidadãos!
No que respeita à situação do Cairo, como aliás acontece em todos os países que foram varridos pela febre da primavera revolucionária, é preciso ter em conta que devemos analisar a situação na óptica egípcia. Aquilo que entendemos por democracia – as heranças da Revolução Francesa -, é nessas paragens (como aliás acontece com menor gravidade na Tunísia ou Marrocos) chão infértil! Nessas geografias onde a religião é dominadora a democracia será sempre uma ilusão!
A democracia ocidental ser um mito no mundo árabe não decorre de serem religiosos.
ResponderEliminarA tua análise é superficial... na minha modesta opinião.
EliminarNão concordo contigo. Na Europa há muito que conseguimos separar o trigo do joio, distinguir o plano religioso (desde logo formal) do plano "digamos" terreno. Eles ainda não o fizeram, e curiosamente até eram mais avançados do que nós. Recordo uma exposição que vi, em Paris, no Instituto do Mundo Árabe e fiquei abismado com o que eles eram e, principalmente, no que se tornaram.
EliminarO problema europeu e (por extensão) ocidental é que o mundo tem que se visto do nosso ângulo. i.e, o que é bom pra nós tem que ser invariavelmente bom para o mundo - por exemplo, a política americana tocou sempre neste falso diapasão!
Naturalmente que eu gostaria que o mundo fosse uniformizado, pois seria mais equilibrado, porém implicaria que todos tivéssemos as mesmas condições e os mesmos instrumentos para compreender a realidade. Mas isso é obviamente é um mito!