Faz anos que tenho admiração pelo General Ramalho Eanes. Nem sempre comunguei algumas das suas opções, nem tampouco o aproveitamento político que fizeram do seu legado: a criação de um partido político. E sei do que falo: o meu pai foi presidente do PRD. Reconheço também que o surgimento dos renovadores democratas, quando do seu parto, foi uma lufada de ar na política portuguesa. Porém, e parecendo ser uma coisa distinta do que havia na política portuguesa, acabou por desaparecer com a mesma velocidade com que havia nascido. Dessa gente nem notícia: uns acoplaram com o PS e os outros com os sociais-democratas. Eanes, como sempre, porventura graças ao seu passado militar, manteve o mesmo rigor e continua a ser uma referência – a referência – no Portugal democrático. Deve-se a ele e demais camaradas de armas a confirmação da democracia em Portugal.
Eanes tem uma visão da política e do serviço público integra. Singular. Sabe o que diz, e, sabe, sobretudo, quando o dizer. Foi assim com naturalidade que, aos microfones da RTP, afirmou que a iniciativa de Cavaco Silva foi "ousada e correcta". Oiçam-no! Porque políticos com esta fibra são cromos de colecções raríssimas!
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