Diz a Anabela Mota Ribeiro à Agustina Bessa Luís:
As Górgonas são figuras mitológicas, terríveis, com serpentes enredadas na cabeleira. Talvez tenha feito esta associação por causa da imagem diabólica e perversa que se tem de si. Uma imagem já mitificada.
E responde a Agustina:
E muito errada! Não tem nada que ver. Mas claro, quando queremos identificar uma pessoa, difícil de detalhar e compreender, a melhor maneira é encontrar uma definição que simplifique as coisas. Começou há muito tempo... Primeiro, era «Barroca», definição do Óscar Lopes, mais literária. A certa altura passou a achar-se que eu era perversa. Tornou-se muito fácil, e sobretudo entre as mulheres a coisa circulou. As pessoas dadas ao epigrama, aos aforismos, que não são exactamente maneiras convencionais de ver as pessoas e o mundo, são tidas por perversas. Perversidade no fim de contas é o que não é convencional. Então, a civilização é uma perversidade! A pureza verdadeira é o homem das cavernas.
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