segunda-feira, 4 de março de 2013

Assim se vê o valor das análises de Marcelo

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ontem, no seu habitual comentário de domingo na TVI, que uma das razões por detrás da demora em obter da Europa melhores condições para reembolso do empréstimo da troika a Portugal prende-se com a sensibilidade que o assunto suscitará junto do eleitorado alemão.


 


Marcelo, que analisa semanalmente os acontecimentos mediáticos da semana disse:“a coisa não está a correr muito bem para a chanceler alemã, que vai a votos em Setembro", e sustentou a sua afirmação com os resultados de eleições regionais que decorreram neste fim-de-semana, em que a vitória escapou aos sociais-democratas cristãos, partido de Angela Merkel. As eleições a que Marcelo Rebelo de Sousa fez referência decorreram, no entanto, na Áustria, não na Alemanha.


 


“Cada vez que o Parlamento alemão tem de votar é um drama para a senhora Merkel que fica com o coração a bater” porque tem eleições gerais em Setembro e “a coisa não está a correr muito bem”. “Ainda agora", prosseguiu o comentador, "num dos länder – Estados-federados – que a extrema-direita dominava, ganharam os sociais-democratas, não ganharam os democratas-cristãos”.  Acrescentando que o sucessor de Haider – “o célebre Senhor Haider” – perdeu para os sociais-democratas.


 


A confusão de Marcelo foi rapidamente notada nalguns círculos das redes sociais, designadamente entre antigos correspondentes portugueses que vivem e trabalham há longos anos na Alemanha, que chamaram a atenção para a circunstância de Jörg Haider ser o falecido líder da extrema-direita (FPÖ) austríaca e de nenhum Lander alemão ser governado pela extrema-direita.


 


Duas importantes regiões austríacas – a Baixa Áustria, a segunda mais habitada do país onde se integra a capital Viena, e a Caríntia – foram neste fim-de-semana a votos. Segundo a Bloomberg, na primeira os conservadores do ÖVP (da família política europeia em que se encaixa a CDU de Merkel) foram os mais votados. Já na Caríntia, os sociais-democratas do SPÖ  (que lideram a coligação de governo na federação, em aliança com o ÖVP) venceram pela primeira vez em 24 anos as eleições regionais, derrotando do FPÖ.

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