quarta-feira, 20 de março de 2013

Vale a pena ler

A brilhante ironia de John Muller:


 


A culpa por esta última crise do euro não é dos cipriotas, é de Angela Merkel e do seu Governo, e não percam tempo à procura de explicações. A culpa não é de um sector bancário hipertrofiado que chegou a deter 128 mil milhões em activos, num país com um PIB de 17 mil milhões: é de Angela Merkel.


A culpa não é dos bancos que não hesitaram em aceitar 21 mil milhões de oligarcas russos e outro tanto de milionários árabes (de difícil justificação), sem fazer perguntas, como chamaram a atenção, em Novembro de 2012, os serviços secretos alemães. Estavam a praticar o International Personal Banking e a "optimização fiscal" e Angela Merkel, em contrapartida, é de moral protestante.


A culpa não é sequer dos gestores que, por patriotismo (Chipre é metade grego), investiram 50% – sim, 50% – em obrigações gregas, apesar de saberem que corriam o risco de perder tudo. Não: é de Merkel.


Tão-pouco é do patético ex-Presidente cipriota, o comunista Dimitris Christofias, um autocrata formado no Komsomol soviético (daí, talvez, tantas contas russas), que nem sequer consultava os seus ministros, o parlamento ou o Banco Central. The Guardian, um diário insuspeito de animosidade, acusou-o, em dezembro,de conduzir o país "para uma situação lamentável". Foi Christofias quem teimou em manter no porto o barco com armas para o Hezbollah, que explodiu em 2011 e levou pelos ares a única central elétrica do país.


 


O que dizem os alemães (e bem a meu ver): "Não posso imaginar os contribuintes alemães a salvarem bancos cipriotas, cujo modelo de negócio se baseia na ajuda à evasão fiscal”.

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