sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O dinheiro entra por um lado, sai por outro, volta à casa e o Banif é salvo


 


O Processo de Recapitalização do Banif é em si mesmo uma genialidade. Vejamos: O Estado tem uma linha do dinheiro da troika destinada só a intervencionar bancos. Portanto uma ajuda que não pesa no défice do Estado, uma vez que é uma dívida pública já contraída. 


O Banif está falido. Isto é, os seus rácios de capital estão muito abaixo dos mínimos legais. Logo, para que o Banif não tivesse de decretar falência, pediu ajuda ao Estado. E o Estado deu 1,1 mil milhões de euros. Compra acções novas (700 milhões) e empresta 400 milhões ao subscrever títulos de dívida convertíveis. 


Mas antes exige que o Banif extinga as obrigações emitidas com garantia do Estado, que ainda são de 1,175 mil milhões de euros. Se o banco falisse a perda do Estado começava logo neste montante. Mas para extinguir estas obrigações com garantia do Estado, o Banif fica sem colaterais para dar ao BCE para garantir os empréstimos deste banco central. Logo terá de comprar dívida pública para substituir os colaterais. E assim o Estado empresta 1,1 mil milhões de euros ao Banif, e o Banif depois empresta o mesmo dinheiro ao Estado. Sendo que o Estado cobra mais pelo empréstimo ao Banif, do que paga ao banco pelas Obrigações do Tesouro. 


O Banif é salvo e o Estado fica com a dívida colocada, com as comissões cobradas e ainda com a maior parte das acções do banco para privatizar depois de 2017. E ainda há para aí uns esquerdóides que se atrevem a insinuar que isto não é um bom negócio para o Estado.


Isto tudo sem ferir clientes, bancos, contribuintes. Quem dera que os socialistas tivessem tido tanto tacto com os BPN e BPP.

1 comentário:

  1. E ainda há para aí jornalistas (?) que se atrevem a escrever a palavra atrevem desta maneira: «atrevêm»???

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