domingo, 20 de janeiro de 2013

Desalento

Estava a ler a entrevista de Ricardo Salgado ao Expresso, e não pude deixar de sentir no seu discurso um grande desalento, de que eu partilho. É desconcertante a travessia que este país fez, desde uns anos 80 e 90 em que Portugal avançava a passos largos para um eldorado e até parecia que o céu era o limite, tal a expectativa brilhava nos olhos dos portugueses, até à actual situação de quase bancarrota, com pouca luz ao fundo do túnel. Imaginem esta travessia vista pelos olhos de um Espírito Santo que trás às costas toda uma história de Portugal do século XX. Não só a história do sistema financeiro, mas história da sociedade portuguesa e da sua estrutura social, da cultura, da política.


"Nunca passei por uma crise tão grande. Passei pelas nacionalizações - e ainda trabalhei dois meses no banco nacionalizado, mas esta é muito pior porque nessa altura a crise era nossa mas havia países que não tinham crise nenhuma. Hoje temos uma crise da civilização ocidental, nos EUA e na Europa, provocada em grande parte por nós, pois as empresas acabaram por se internacionalizar, levando capital para os países emergentes. criando desemprego nos países de origem e emprego nos países emergentes". Diz Ricardo Salgado.


 


Este país nesta geração não tem remédio, perdeu todas as oportunidades de se elevar. É um desalento.


 


P.S. Em relação à entrevista propriamente dita, ficou aquém das expectativas, porque o jornal não lhe fez perguntas essenciais. Por exemplo: "É verdade que teve de corrigir a sua declaração de impostos?" "Sempre procurou ter um papel activo, ainda que de forma discreta, na condução dos destinos do país, contribuindo com sugestões aos governos. De todos os governos com que se relacionou qual aquele que mais contribuiu, na sua perspectiva, para a evolução do país?" "Como vê hoje o futuro de Portugal?" "Diz-se muitas vezes que o grande problema deste país é fraqueza das elites. As elites portuguesas são inseguras, com pouca força cultural, com pouca independência de pensamento, fúteis, com pouca auto-confiança para inovar. Concorda com esta tese?". São algumas sugestões de perguntas em falta.


 


Quando a entrevista acabou fiquei à procura da continuação da entrevista noutras páginas...



 

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