A ouvir a entrevista da Mallu Magalhães, no Fora d´Horas , fiquei estupefacta com a inteligência desta miúda brasileira que encanta os palcos brasileiros. A certa altura ela fala do seu universo pessoal e diz que é cheio de sentimento e de intuições, e que acredita na intuição, porque "a gente não sabe nada, então a gente vai pela intuição". Fantástico. E rapidamente me ocorreu que o conhecimento (que vem com a idade, com o envelhecimento) arruína essa bússola única do caminho da verdade, que é a intuição. Envelhecer não tem nada de bom, não vejo nenhum encanto nesse caminho em direcção à sabedoria desencantada.
No decorrer da entrevista Mallu Magalhães fala do marido, Marcelo e diz que nunca tinha sentido a importância dessa luz que incide em nós quando estamos ligadas a uma pessoa com quem nos identificamos completamente. "Ele me dá uma paz, porque quando a gente gosta de alguém só quer o reconhecimento dessa pessoa". Uma miúda a dizer aquilo que a maior parte das pessoas na meia idade nunca chegaram sequer a sentir, quanto mais a dizer.
A inteligência é uma coisa que não escolhe idade, nem credo, nem raça, nem nacionalidade, nem nada. É uma benção ouvir e reconhecer a inteligência simples.
“Sempre tive grandes dúvidas sobre a doutrina das inteligências. No que acreditava, na época em que pensava nessas coisas, era na superioridade das vontades. O querer é que é raro.”
ResponderEliminar(Em carta datada de 1869)
Alexandre Herculano
(28.3.1810 – 13.9.1877)
E a INTELIGÊNCIA e o QUERER, se não estiverem, a montante, muito bem "formatados" pelo CARÁCTER, podem tornar-se demoníacos e autofágicos, para o próprio e para o próximo. Quanto à celebrada INTUIÇÃO, também esta precisa de algo mais, em particular uma boa educação dos afectos... E a RAZÃO é um muito bom instrumento ainda que apenas e só um instrumento mas valioso, desde que bem usado.
"O assunto mais importante do mundo pode ser simplificado até ao ponto em que todos possam apreciá-lo e compreendê-lo. Isso é - ou deveria ser - a mais elevada forma de arte."
ResponderEliminarCharles Chaplin
(1889-1977)
Eis a "inteligência simples", que não simplista...