sábado, 12 de novembro de 2011

Um país sem amanhã


 


Faz hoje 150 que morreu D. Pedro V. A efeméride a par da situação crítica que vivemos mereceu no Facebook de Eurico de Barros, o crítico de cinema do Diário de Noticias, uma análise perspicaz que, por ser pública, cito-a aqui. Posto também o meu breve comentário.


 


Escreveu E. de Barros:


 


Entretidos com as angústias da crise, os estados de alma futebolísticos e o restolhar dos "famosos", os media não deram por uma das mais importantes efemérides deste ano, os 150 anos da morte de D. Pedro V, que se assinalam hoje. 
O filho primogénito de D. Maria II e de D. Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha, que subiu ao trono em 1855, aos 18 anos, após uma educação esmerada e um período de viagens de estudo ao estrangeiro, na companhia de seu irmão Luís, só reinou seis anos. O tifo levou-o a 11 de Novembro de 1861, dois anos depois da sua mulher, a Rainha D. Estefânia, ter sido vitimada pela difteria. 
Nesse curto espaço de tempo, este jovem de uma precocidade rara, superiormente inteligente e culto, sequioso de saber, dotado em simultâneo das qualidades da acção e da reflexão, e empenhado em participar no bom governo do Reino e na sua modernização, apesar de rodeado por uma classe política medíocre e corrupta e de se confrontar com um país em aflição, deixou o seu nome ligado à construção de estradas, à expansão do caminho-de-ferro e das linhas telegráficas; ao desenvolvimento do comércio e da indústria; à fundação do Curso Superior de Letras; à criação da Direcção-Geral da Instrução no Ministério do Reino; à apresentação do projecto de Código Civil; à concessão de liberdade para todos os escravos que desembarcassem em território português, entre várias outras iniciativas e empreendimentos. 
D. Pedro V conviveu com grandes nomes da cultura do seu tempo, como Herculano e Camilo, interessou-se pelos assuntos militares (raramente trajava à civil) e conquistou o seu povo logo no início do reinado, quando Lisboa foi assolada, por uma epidemia de cólera-morbo, seguida de uma de febre amarela, e o monarca recusou deixar a capital, quase deserta. Ficou, visitando os enfermos e supervisionando o combate às doenças. O mesmo povo, à sua morte, chorou-o do fundo do coração, e, como corressem rumores de que o Rei teria sido envenenado pelos políticos, houve sérios tumultos em Lisboa. 
Honra seja feito à Texto, que acaba de reeditar 'D. Pedro V- Um Homem e um Rei', de Ruben Andersen Leitão. No resto, um país sem memória é um país sem futuro.


 


O meu comentário:


 


Vivemos em tempos repletos de "significantes vazios". Portanto é uma bela e justa homenagem e a tua crítica pertinente. Depois o país não comemorou como devia este aniversário. Normal. Da mesma forma como deixou passar em branco, muito recentemente, o centenário de Herculano. Depois admiram-se que estejamos em crise. Um povo que perde a sua identidade - e nada tem a ver com o facto de estarmos na Europa e de perdermos soberania - só pode estar em crise, numa profunda crise cultural! Pois a Europa só terá futuro, Portugal só terá amanhã se defender a sua Identidade Cultural!

2 comentários:

  1. Parabéns pelo destaque e pela boa iniciativa!
    Este blog é algo que não se vê há muito tempo na blogoesfera (ou pelo menos, não é tão divulgado quanto deveria!).

    Muitos parabéns e continuação de um ótimo trabalho! Já ganharam uma seguidora interessada!

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    1. Muito obrigado. Mas o dono ao seu dono, e os louros vão para o Eurico de Barros, limitei-me a "colar" aqui a sua análise.

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